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Bandas portuguesas

Deixe para trás os temas melancólicos do fado e a música popular banal do pimba – e descubra, em vez disso, uma Portugal completamente diferente: vibrante, multifacetada e extremamente autêntica. Hoje, aqui fervilha uma poderosa energia criativa, e a cena indie tornou-se o verdadeiro centro pulsante deste movimento. Todos os dias, centenas de bandas quebram as velhas regras, misturando pós-rock, psicadélico, música eletrónica e pós-punk numa mistura totalmente nova e invulgar. Ao longo das últimas décadas, este movimento transformou-se num mundo à parte, independente – um lugar onde se combinam uma imaginação ousada, uma energia viva e genuína e a liberdade de criar música sem quaisquer limites.

by Rodrigo Santos

Conteúdo
Colagem com bandas, guitarras e cidades portuguesas

A diversidade da cena musical portuguesa contemporânea

Enquanto o mundo conhece Portugal pelas melodias da saudade e pelo coro das festas populares, aqui, à sombra dos circuitos turísticos, fervilha um movimento artístico original que há muito deixou de ser underground. Centenas de novas bandas quebram os padrões, misturando pós-rock, psicadélico, música eletrónica e pós-punk num som reconhecidamente original, enquanto as editoras independentes e os espaços artísticos de Lisboa, Porto e Braga transformaram esta corrente num ecossistema completo. Não se trata apenas de música – é a nova face do país, que prova que a cena portuguesa é muito mais do que folclore e que já conquistou o cenário internacional.

Uma ponte importante entre o passado e o presente é o legado deixado pelas bandas portuguesas dos anos 90. Foi precisamente na década de 90, sob a influência do grunge ocidental e do indie britânico, que se formou a primeira onda poderosa de música alternativa (grupos como os Ornatos Violeta, ativos entre 1991 e 2002, ou outras formações influentes do mesmo período), que provou que a música rock em português e a música rock local em inglês podem ser comercialmente bem-sucedidas e conceptuais.

As atuais bandas indie portuguesas herdaram essa vontade de experimentar, mas tornaram o som mais grandioso e com um toque “loft”.

Multidão e palco num festival de música em Portugal

Os festivais que dão palco à cena alternativa portuguesa

A rica cultura de festivais do país tornou-se o principal motor e palco para os artistas locais, uma vez que Portugal é famoso não só pelos gigantescos eventos ao ar livre, mas também pelos festivais orientados para a descoberta de talentos e para a cultura alternativa:

  • Paredes de Coura: um festival icónico, realizado anualmente desde 1993 na Praia Fluvial do Taboão, que há anos apoia a cena alternativa e oferece um palco tanto a cabeças de cartaz internacionais como a artistas portugueses (Capitão Fausto, Sensible Soccers);
  • Plataformas de showcase e iniciativas locais: eventos especiais onde bandas portuguesas pouco conhecidas têm a oportunidade de atuar perante promotores de concertos internacionais, produtores musicais e críticos;
  • Tremor (nos Açores): festival na ilha de São Miguel, realizado desde 2014, especializado em música psicadélica, rock experimental e vanguarda, transformando Ponta Delgada num grande palco artístico.

Hoje, as melhores bandas alternativas de Portugal ultrapassaram há muito as fronteiras dos clubes locais e estão a conquistar os palcos europeus, como, por exemplo, o grupo de pop psicadélico Capitão Fausto ou os artistas de rock Linda Martini. Trata-se já de uma corrente cultural consolidada, onde artistas que merecem maior atenção demonstram com convicção que a música portuguesa há muito ultrapassou os limites do folclore tradicional. Transformou-se numa força contemporânea, enérgica e profunda, na qual a estética acústica e a rica herança nacional se combinam harmoniosamente.

Rock Alternativo e Indie

Músicos portugueses a tocar em vários concertos

A energia da cena rock alternativa e indie portuguesa

A formação da cena rock independente em Portugal remonta à viragem dos anos 90 para os anos 2000. Foi nessa altura que a indústria local começou a afastar-se do som tradicional, procurando novas formas de expressão sob a influência do grunge anglo-saxónico, do indie britânico e do pós-punk. As lendárias bandas portuguesas de rock provaram que a língua portuguesa soa de forma orgânica em arranjos alternativos cheios de energia. Nesse período, surgiram bandas de rock portuguesas icónicas, que criaram uma base sólida para as gerações seguintes.

As atuais bandas portuguesas de rock alternativo experimentam com confiança a estética noise e letras poéticas, enquanto as vibrantes bandas portuguesas de indie integram na sua música elementos de psicadélico, eletrónica e art-rock, tornando a cena alternativa portuguesa uma parte distinta do panorama musical europeu.

Tara Perdida

Os Tara Perdida são uma lendária banda portuguesa de punk rock, fundada a 10 de junho de 1995 no bairro de Alvalashé (Lisboa). A banda formou-se por iniciativa de João Ribas (Ribas) e Rui Costa (Ruka) e, desde o início, trouxe um espírito rebelde e intransigente à cena punk portuguesa.

Os membros dos Tara Perdida e o logótipo da banda

Tara Perdida, banda de punk rock fundada em 1995

O nome da banda

Tara Perdida

Ano de fundação

10 de junho de 1995, Lisboa

Formação

Ruka (Rui Costa) – guitarra, voz;

Tiago “Ganso” Silva – guitarra;

Pedro “Kystos” Rosário – bateria;

Filipe Sousa – baixo

Género

Punk rock, pós-punk, rock alternativo

Sucessos

Nasci Hoje, Desalinhado, Lisboa (feat. Tim), O Que É Que Eu Faço Aqui, Lambe-Botas, Até ao Fim, Quanto Mais Eu Grito

Álbuns

Tara Perdida (1996), Só Não Vê Quem Não Quer (1998), É Assim (2002), Lambe-Botas (2005), Nada a Esconder (2008), Dono do Mundo (2013), 30 Anos - Ao Vivo em Alvalade (2026)

Editora

Sony Music Entertainment / Universal (anteriores)

O estilo da banda é um punk rock enérgico com elementos de pós-punk e rock alternativo, caracterizado por letras diretas e socialmente contundentes em português, que se tornaram hinos para várias gerações da juventude portuguesa.

TARA PERDIDA – BAIRRO DE ALVALADE – FESTA DOS 30 ANOS 2026

Em 2026, a banda comemorou os 30 anos de carreira com um concerto no Rock in Rio Lisboa e lançou o álbum “30 Anos - Ao Vivo em Alvalade”. A propósito, no Rock in Rio Lisboa 2026, a estreia do novo baterista Nuno José trouxe uma energia renovada; o alinhamento incluiu clássicos e momentos culminantes – “Batata frita”, interpretada três vezes seguidas, e a emotiva “Lisboa”, que o público cantou em coro, e o final foi dedicado à memória do fundador João Ribas, com a exibição de uma faixa com as palavras “A vida é uma só. Lá em cima, ele está orgulhoso”.

Black Bombaim

Os Black Bombaim são uma banda portuguesa de rock instrumental do Porto, fundada em 2008, que toca música psicadélica. São um dos parceiros mais antigos da editora independente Lovers & Lollypops e são conhecidos pelo seu gosto por experiências musicais ousadas e projetos colaborativos com outros artistas.

Os membros de Black Bombaim

Black Bombaim, banda de rock psicadélico portuense

Nome da banda

Black Bombaim

Ano de fundação

2008, Porto

Formação

Trio de Porto

Género

Rock psicadélico, stoner rock, música instrumental

Álbuns

Saturdays & Space Travels (2010), Far Out (2012), Titans (2014), Black Bombaim & Peter Brötzmann (2016)

Colaborações

Steve Mackay (The Stooges), Isaiah Mitchell (Earthless), Peter Brötzmann (saxofonista alemão de free jazz), Rodrigo Amado (saxofonista de jazz português)

Black Bombaim & Peter Brotzmann

A colaboração mais notável foi “Black Bombaim & Peter Brötzmann” (2016), ou seja, com o lendário saxofonista alemão de free jazz, onde o rock e o jazz se fundem numa jam cósmica. A banda também colaborou com o saxofonista de jazz português Rodrigo Amado.

Os Black Bombaim são um exemplo único da cena psicadélica portuguesa, onde a música instrumental se transforma numa viagem meditativa com elementos de stoner, krautrock e free jazz.

Linda Martini

Linda Martini é uma das bandas de indie rock portuguesas mais influentes, fundada em 2003, em Lisboa. A banda formou-se no bairro de Queluz, onde começou a ensaiar nos estúdios Black Sheep, e, desde o início, tornou-se a voz da cena alternativa portuguesa.

Os membros da banda Linda Martini em duas fotos

Linda Martini, uma das bandas de indie rock mais influentes

Nome da banda

Linda Martini

Ano de fundação

2003 (Lisboa)

Formação

André Henriques – voz, guitarra;

Cláudia Guerreiro – baixo, voz;

Hélio Morais – bateria, voz;

Rui Carvalho (Filho da Mãe) – guitarra

Género

Indie rock, rock alternativo, pós-punk

Sucessos

Amor Combate, Casa Ocupada, Sirumba, Turbo Lento, Passa-Montanhas, Errôr

Álbuns

Olhos de Mongol (2006), Casa Ocupada (2010), Turbo Lento (2013), Sirumba (2016), Linda Martini (2018), ÊRROR (2022), Passa-Montanhas (2025, primeiro álbum com o novo guitarrista Rui Carvalho), Merda e Ouro (2025, ao vivo)

O estilo da banda é o indie rock com elementos de pós-punk e rock alternativo, com letras profundas e poéticas em português, que se tornaram hinos para várias gerações.

Linda Martini – "Corações rápidos"

A banda realiza digressões ativas por Portugal: em janeiro-fevereiro de 2026, realizou a digressão “Liga de Clubes” (10 datas, incluindo Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu e Tavira). Linda Martini atua regularmente em grandes festivais (Paredes de Coura, Rock in Rio Lisboa, NOS Alive) e faz parte da cena indie lisboeta, atuando em locais como a Casa Capitão (Lisboa) e o Maus Hábitos (Porto).

First Breath After Coma

Imagine música capaz de, literalmente, dar um novo sopro de vida: em 2012, em Leiria, cinco músicos uniram-se para criar o projeto First Breath After Coma, que rapidamente ultrapassou os limites dos géneros habituais. Eles tecem habilmente paisagens sonoras cinematográficas e grandiosas, onde a etérea leveza do dream pop se cruza com a energia aguda e explosiva do indie e do post-rock. Não se trata apenas de faixas, mas de quadros sonoros hipnóticos que mergulham o ouvinte num transe profundo e fazem o coração bater num ritmo novo e acelerado.

Os músicos da banda First Breath After Coma

First Breath After Coma, projeto de post-rock de Leiria

Nome da banda

First Breath After Coma

Ano de fundação

2012 (Leiria)

Formação

Roberto Caetano – voz, guitarra;

Rui Gaspar – baixo;

João Pedro – guitarra;

Miguel – bateria;

Diogo – teclados (cinco músicos de Leiria)

Género

Post-rock, indie rock, dream pop

Álbuns

The Misadventures of Anthony Knivet (2013), Drifter (2016) – nomeado para o Álbum Independente Europeu do Ano (IMPALA), NU (2019), First Breath After Coma + Banda de Música de Mateus (2020), A Residência (feat. Salvador Sobral) (2025)

O estilo da banda é o post-rock com grandiosas construções instrumentais, que lembram gigantes internacionais do género como os Explosions in the Sky, mas com a sensibilidade portuguesa.

First Breath After Coma – Salty Eyes

O sucesso “Salty Eyes” (2016) tornou-se um dos pilares da cena pós-rock portuguesa de 1547. A banda atua regularmente em festivais, incluindo o Paredes de Coura 2026.

Telmo Soares, compositor da banda, sobre o encontro dos First Breath After Coma com Salvador Sobral, que já conheciam graças aos videoclipes da Casota Collective, afirma:

Foi estranhamente produtivo. Normalmente, trabalhamos de forma muito mais lenta e caótica. Mas, de repente, algo encaixou e, literalmente, em seis ou sete dias, criámos quase todo o concerto…

Hip-Hop e Música Urbana

Grupos de hip-hop portugueses a atuar ao vivo

Dealema e Orelha Negra, referências do hip-hop nacional

A cena portuguesa de hip-hop e música urbana percorreu, ao longo das últimas décadas, um caminho que a levou da autoexpressão underground nas ruas até se tornar o principal motor da indústria musical contemporânea do país. A principal característica deste movimento é a estreita interligação entre diferentes culturas.

A formação do som único de Lisboa e do Porto está intimamente ligada à diáspora africana – sobretudo aos imigrantes originários de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. A combinação do clássico boom-bap americano com ritmos africanos tradicionais (como a kizomba, o funaná e o kuduro) deu origem a um género original, conhecido como Batida, bem como ao peculiar afro-trap lisboeta. Os primeiros grupos icónicos de hip hop português (por exemplo, Mind da Gap, Black Company e, mais tarde, Da Weasel) provaram que a língua portuguesa e a gíria de rua podem soar com força e de forma poética.

Von Lissabon in die Welt: Wie Batida Clubmusik neu denkt

Hoje, as bandas portuguesas de hip hop e os artistas a solo (como Dino D'Santiago, Branko, Wet Bed Gang, Slow J, Julinho KSD) moldam a nova identidade portuguesa. Misturam organicamente a língua crioula (kriolu) com o português, criando um retrato sonoro da metrópole contemporânea. Graças a isso, a música urbana portuguesa ultrapassou largamente os limites dos bairros e tornou-se uma corrente dominante, conquistando os maiores palcos de festivais e plataformas de streaming internacionais.

Dealema

Os Dealema são um dos grupos de hip-hop portugueses mais antigos e influentes, fundado em 1996 no Porto (Vila Nova de Gaia). O grupo surgiu da fusão de dois projetos: o Factor X (Mundo Segundo e DJ Guze) e o Fullashit (Fuse e Expeão), aos quais se juntou Maze como o “quinto elemento”.

Os membros dos Dealema em duas fotografias

Dealema, um dos grupos de hip-hop mais influentes do Porto

O nome do grupo

Dealema

Ano de fundação

1996, Porto (Vila Nova de Gaia)

Formação

Mundo Segundo (Edmundo Silva) – voz;

DJ Guze – DJ;

Fuse – voz;

Expeão – voz;

Maze – voz

Género

Hip-hop, rap, rap alternativo, rap hardcore

Sucessos

O Sangue, Doutros Tempos, O Teu Momento, Beijos e Balas, Hip Hop, 96 ao Infinito, Língua Afiada, Guerreiros Indomáveis

Álbuns

Expresso Do Submundo (EP, 1996), Dealema (2003), V Império (2008), Arte de Viver (EP, 2010), Alvorada da Alma (2013), 96 ao Infinito (2026)

DEALEMA Feat. DAVID CRUZ – 96 AO INFINITO

O estilo da banda é o hip-hop lírico com elementos de rap alternativo e hardcore, conhecido pelo seu storytelling e pelas letras profundas sobre a injustiça social, a identidade e a vida nas ruas do Porto.

Em 2026, a banda comemorou os 30 anos de carreira com um concerto no Coliseu do Porto (20 de fevereiro de 2026) e atuações no Rock in Rio Lisboa (21 de junho de 2026) e no Enterro da Gata 2026 (Braga). 

Orelha Negra

Orelha Negra é um coletivo português de hip-hop/soul instrumental, fundado em 2009 em Lisboa. O projeto surgiu como uma colaboração entre o lendário produtor Sam the Kid (Samuel Mira) e um grupo de músicos que criam um som instrumental ao vivo com elementos de hip-hop, soul, funk, jazz e R&B.

Os músicos de Orelha Negra em estúdio e ao vivo

Orelha Negra, projeto de hip-hop, soul e jazz lisboeta

Nome do grupo

Orelha Negra

Ano de fundação

2009 (Lisboa)

Formação

Sam the Kid – sampler, sintetizador, MPC;

Francisco Rebelo – baixo, guitarra;

Fred Ferreira – bateria;

João Gomes – teclados, sintetizadores;

DJ Cruzfader – DJ, gira-discos

Género

Hip-hop instrumental, soul, funk, jazz, R&B

Sucessos

“Solteiro”, “Lord”, “M.I.R.I.A.M.”, “Piercing”, “Vinil”, “Throwback”

Álbuns

Orelha Negra (2010), Orelha Negra (2012), Orelha Negra III (2017)

Editora

 Rastilho Records

ORELHA NEGRA – Duas Caras Feat Beware Jack

O estilo da banda consiste numa jam session orgânica com ênfase no groove, no sampling e nos instrumentos ao vivo (baixo, guitarra, bateria, teclados, DJ), o que a distingue da produção tradicional de batidas.

Até à data, todos os álbuns de estúdio dos Orelha Negra têm o mesmo nome da banda. O seu terceiro álbum alcançou o primeiro lugar nas tabelas de álbuns portuguesas em 2017. A Orelha Negra atua regularmente em grandes palcos: CCB (Lisboa, 2025), Rock in Rio Lisboa 2026, Vodafone Paredes de Coura 2026, juntamente com Sam the Kid e uma orquestra. 

Pop, Fusão e Sons Contemporâneos

Cantores e músicos portugueses de hip-hop em palco

A cena urbana portuguesa ligada à diáspora africana

A cena pop portuguesa contemporânea sofreu uma transformação radical, deixando para trás os limites tradicionais e transformando-se num espaço dinâmico para experiências com diferentes géneros. Hoje, as bandas pop portuguesas populares combinam ousadamente a música indie eletrónica, os ritmos africanos, a kizomba e o funk brasileiro, criando um som urbano fresco e reconhecível. As vibrantes bandas portuguesas contemporâneas rejeitam formatos ultrapassados, incorporando a herança multicultural das megacidades. Graças a isso, os grupos musicais portugueses atuais e progressistas estão a dar forma a uma nova onda na cena local, onde a melodia tradicional coexiste organicamente com as tendências globais atuais e os ritmos dançantes.

Calema

Calema é uma popular dupla de pop afro-portuguesa, criada pelos irmãos António e Fradick Mendes Ferreira, originários de São Tomé e Príncipe. O nome da banda remete ao movimento característico do oceano junto à costa africana, simbolizando o movimento constante e a estética da sua música.

Os irmãos Calema em vários looks coloridos

Calema, dupla de afro-pop originária de São Tomé e Príncipe

Nome da banda

Calema

Ano de fundação

2008, Lisboa (originários de São Tomé e Príncipe)

Formação

Fradique Mendes Ferreira – voz, guitarra;

António Mendes Ferreira – voz, teclados

Género

Pop, afro-pop, R&B, kizomba-pop

Sucessos

Te Amo, A Nossa Vez, Amar pela Metade, Leva Tudo, O Nosso Amor, A Nossa Dança, Vai

Álbuns

Ni Mondja Anguéné (2010), Bomu Kêlê (2014), A Nossa Vez (2017), Yellow (2020), Voyage – Part II (2024), Voyage (Part III) (2025), Live At Estádio Da Luz (2026)

A música da dupla é um exemplo marcante da cena fusion portuguesa contemporânea: combinam afropop, kizomba, R&B e música pop clássica. Tendo começado num coro paroquial na sua ilha natal e com covers no YouTube, os Calema cresceram até se tornarem um dos projetos musicais de maior sucesso em Portugal na década de 2020. Juntamente com artistas como Dino D'Santiago, representam o som multicultural contemporâneo de Lisboa.

Calema, Léo Santana – Oi Amor?

Em junho de 2025, os Calema tornaram-se a primeira dupla portuguesa a esgotar o Estádio da Luz, em Lisboa (60 000 espectadores).

Acácia Maior

Acácia Maior – um coletivo musical afro-português e uma plataforma criativa, fundada em Lisboa em 2018 pelos multi-instrumentistas da ilha de São Vicente (Cabo Verde) – Henrique Silva e Luís Firmino. O nome do projeto remete para a árvore da acácia, que simboliza raízes profundas nas tradições de Cabo Verde e ramos abertos à colaboração com outros artistas. O próprio projeto funciona não como uma banda convencional, mas como um “organismo vivo” e um espaço aberto para colaborações.

Os membros de Acácia Maior sorridentes

Acácia Maior, projeto musical cabo-verdiano de Lisboa

Nome da banda

Acácia Maior

Ano de fundação

Anos 2020 (Lisboa)

Formação

Cristina Clara – voz;

Nancy Vieira – voz;

Berlok – produtor, instrumentos

Género

Pop contemporâneo, world music, música cabo-verdiana, afro-pop

Sucessos

“Inquietação”, “Catá Bórre”, “Vindo do Espaço”

Álbuns

Cimbron Celeste (2023, Landa), Vindo do Espaço (2026)

Acácia Maior – Catá Bórre LIVE (Festival MED '24) feat. Cachupa Psicadélica

Esta banda combina habilmente os ritmos tradicionais de Cabo Verde – coladera, funan, morna e mazurca – com uma estética fusion contemporânea, enriquecendo-os com elementos funk, eletrónicos e um humor leve. Gravado em casa, o álbum de estreia “Cimbron Celeste” (março de 2023, Tabanka Records) integrou as listas dos melhores lançamentos portugueses do ano. Na gravação do álbum participaram músicos e vocalistas convidados de destaque, entre os quais Paulino Vieira, Cachupa Psicadélica, Danilo Lopes (Fogo Fogo), Eliana Rosa e outros.

Buraka Som Sistema

Buraka Som Sistema é um projeto eletrónico português que ganhou popularidade graças à ousada combinação de batidas techno com ritmos africanos como o kuduro e o zouk. A banda é considerada a pioneira dos estilos “kuduro progressivo” e “zouk bass”, e o seu contributo para a música foi distinguido com um prémio MTV European Music Award.

Os membros de Buraka Som Sistema em grupo

Buraka Som Sistema, projeto eletrónico premiado pela MTV

Nome da banda

Buraka Som Sistema

Ano de fundação

2006, Amadora (Lisboa)

Formação

Kalaf Ângelo – voz;

LilJohn (João Barbosa) – DJ, produtor;

Riot (Rui Pité) – guitarra;

Andro Carvalho – baixo;

Edson “Puto Prata” – voz;

Branko – produtor (anteriormente)

Género

Eletrónica, kuduro, world, afro-house, techno

Sucessos

Kalemba (Wegue Wegue), Hangover (BaBaBa), Sound of Kuduro (feat. M.I.A), Yah!, Stoopid, Vuvuzela (Carnaval), Bota (feat. Karol Conká), Parede, Eskeleto, Lights Off, Zouk Flute

Álbuns

From Buraka to the World (2006/2007), Black Diamond (2008), Komba (2011), Buraka (2014)

Atuações internacionais

Glastonbury (2007), colaboração com M.I.A. na faixa “Sound of Kuduro”, MTV Europe Music Award, atuações no NOS Alive 2026, Dour 2026, Paléo Festival 2026, Webster Hall NYC (2016), Londres (2026)

Buraka Som Sistema – Puro Mambo

A propósito, Buraka Som Sistema é o equivalente português do nome Buraka Sound System, no qual se mantém a ordem das palavras em inglês (a tradução gramaticalmente correta em português seria “Sistema de Som da Buraka”). O grupo inspirou-se no nome do bairro de Buraca, situado no município de Amadora, nos subúrbios de Lisboa.

Após uma atuação em Lisboa, em julho de 2016, o grupo colocou a sua atividade criativa em pausa, mas regressou aos palcos com uma atuação muito aguardada no festival NOS Alive, em julho de 2026.

Folk, Experimental e Sons Únicos

Músicos com maquilhagem e figurinos extravagantes

The Garden, Capitão Fausto e Dead Combo em palco

Para além dos estilos tradicionais, a cena portuguesa contemporânea conta com um forte género experimental, onde os artistas ultrapassam livremente os limites das formas musicais habituais. Esta corrente combina uma reflexão profunda sobre o património folclórico, o pop de vanguarda e ousadas explorações sonoras. As bandas folclóricas portuguesas, com o seu carácter único, recorrem a instrumentos acústicos autênticos e a motivos populares, reinterpretando-os através do prisma da contemporaneidade. Ao mesmo tempo, a inovadora música experimental portuguesa recorre ativamente à eletroacústica, ao ruído e à improvisação livre. Graças a esta síntese, as bandas alternativas portuguesas contemporâneas criam um espaço sonoro único, transformando as tradições locais portuguesas em arte conceptual atual.

The Garden

O que acontecerá se combinarmos o espírito do underground californiano, a alta moda e uma energia selvagem capaz de fazer tremer as paredes das salas de concerto? A resposta é conhecida apenas por duas pessoas – os irmãos gémeos Wyatt e Fletcher Shiers, que, com apenas 17 anos, fundaram o provocador duo The Garden. Eles sobem ao palco com maquilhagem assustadora de bobos da corte medievais, e as suas atuações assemelham-se mais a um caos controlado, onde o punk rock se funde com a loucura do breakcore. Mas por trás desta máscara esconde-se algo mais do que mero escândalo.

Os irmãos gémeos de The Garden em vários looks

Wyatt e Fletcher Shears, os irmãos por trás de The Garden

O nome da banda

The Garden

Ano de fundação

2011, Orange County, Califórnia, EUA (não em Portugal)

Formação

Wyatt Shears – voz, guitarra, baixo, teclados;

Fletcher Shears – voz, bateria, baixo, teclados

Género

Art-punk experimental, pós-punk, electro-punk, breakcore, industrial

Sucessos

“Hater”, “Wasting Time”, “Take Me Away”, “Bored”, “Eve of Nothing”, “5 Mile Ponytail”, “Ugly”, “Pin Drop”

Álbuns

The Life and Times of a Paperclip (2013), Rules (EP, 2013), Haha (2014), Vada Vada (2015), Everything Is Perfect (2017), KKKTTT (2018), Mirror Might Steal Your Charm (2019), HORSESHIT ON ROUTE 66 (2022), Six Desperate Ballads (EP, 2024), Bootleg (2026)

Estes irmãos não se limitam a tocar música – criaram o seu próprio universo artístico. Vada Vada é um manifesto de liberdade absoluta, onde não há regras, fronteiras nem géneros. Aqui, o hardcore punk coexiste tranquilamente com o jungle excêntrico, o industrial e o hip-hop.

The Garden – Chainsaw The Door

Os músicos conseguem fazer literalmente tudo – desde conquistar os palcos do lendário Coachella e atuar como banda de abertura dos The Strokes até desfilar nas passarelas da alta-costura e criar o seu próprio e misterioso festival, o One Strange Night.

Os seus álbuns são uma verdadeira atração criativa. Os graves profundos das guitarras barítonas, os lampejos dos sintetizadores e os ritmos fragmentados levam os fãs a esgotarem os bilhetes para os seus espetáculos em poucos minutos – tal como aconteceu no seu espetacular concerto em Lisboa. Pode consultar os próximos concertos AQUI.

Capitão Fausto

Os Capitão Fausto são uma das bandas portuguesas de indie rock e pop psicadélico mais influentes e bem-sucedidas do século XXI, fundada em 2009 por amigos de infância do bairro de Alvalade (Lisboa). A sua música evoluiu de um indie rock cru e de garagem para um pop psicadélico maduro e requintado, com texturas acústicas profundas e letras sinceras sobre o amadurecimento, a juventude, as perdas e a esperança.

Os membros de Capitão Fausto em fotos de grupo

Capitão Fausto, uma das bandas mais influentes do indie português

O nome da banda

Capitão Fausto

Ano de fundação

2009 (Lisboa)

Formação

Tomás Wallenstein – voz, guitarra; Domingos Coimbra – baixo, voz; Manuel Palha – guitarra, teclados; Salvador Seabra – bateria, voz; Francisco Ferreira – teclados, guitarra (saiu em 2024)

Género

Indie pop, indie rock, pop psicadélico, rock alternativo

Sucessos

Gazela, Nunca Nada Muda, Certeza, Amor, a Nossa Vida, Nuvem Negra, Andar à Solta, Zé, Infinita, Escolhas, Na Na Nada, Amanhã Tou Melhor

Álbuns

Gazela (2011), Pesar o Sol (2014), Capitão Fausto Têm os Dias Contados (2016 – n.º 1 em Portugal), A Invenção do Dia Claro (2019 – n.º 1 em Portugal), Subida Infinita (março de 2024) e We4Sessions - EP (2026)

Capitão Fausto: WE4Sessions

A 24 de janeiro de 2026, os Capitão Fausto celebraram o 15.º aniversário da sua carreira com um concerto a solo com lotação esgotada na MEO Arena – a maior sala de espetáculos de Portugal. O então presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve presente no espetáculo, segundo o tviplayer.

Os Capitão Fausto fundaram também a editora independente e o coletivo artístico Cuca Monga, que se tornou um centro nevrálgico da cena indie portuguesa contemporânea (lançando artistas como Ganso, Luís Severo e Zarco).

Dead Combo

Imagine um recanto sombrio de Lisboa, impregnado de fumo de tabaco, onde as melodias melancólicas do fado tradicional se cruzam repentinamente com o ritmo perigoso dos westerns spaghetti de Ennio Morricone. Foi precisamente neste universo cinematográfico que existiram os Dead Combo – um lendário duo instrumental, fundado em 2004 por Tomás Trips e Pedro Gonçalves.

Dead Combo, duo instrumental de fado noir

Dead Combo, lendário duo de rock instrumental lisboeta

O nome da banda

Dead Combo

Ano de fundação

2003 (Lisboa)

Formação

Tó Trips – guitarra, baixo, teclados;

Pedro Gonçalves (1970–2024) – contrabaixo, baixo, melódica, voz

Género

Rock instrumental, fado noir, spaghetti western, crime jazz, post-rock

Sucessos

Mr. Leone, Sopa De Cavalo Cansado, Rak Song, Manobras De Maio 06, Old Rock 'N' Roll Radio, Lisboa Mulata, A Bunch of Meninos, Odeon Hotel

Álbuns

Vol. 1 (2004), Lusitânia Playboys (2008), Lisboa Mulata (2011), A Bunch of Meninos (2014), Odeon Hotel (2018), Live At Teatro São Luiz (2023)

Editora

Universal Music Portugal, Dead Combo (independente)

A sua música é um verdadeiro “jazz criminoso” e fado noir, onde o contrabaixo melancólico e a guitarra triste criam uma atmosfera de um thriller sombrio. Os Dead Combo deixaram um rico legado de álbuns cult (Lusitânia Playboys, Lisboa Mulata, Odeon Hotel) e uma onda de tristeza após a morte de Pedro Gonçalves. No entanto, este duo permanecerá para sempre como um dos fenómenos mais enigmáticos e elegantes da cena underground portuguesa.

Dead Combo Live at Maxime's

Conclusão

A cena alternativa portuguesa contemporânea é muito mais diversificada e dinâmica do que pode parecer à primeira vista. Há muito que ultrapassou os limites do fado tradicional ou da música pop convencional: hoje, coexistem aqui de forma orgânica ritmos afro-portugueses, música eletrónica experimental, indie rock e art-punk.

Bandas portuguesas autênticas que merecem mais atenção criam um espaço sonoro único, que conquista tanto os palcos locais como os festivais internacionais. É precisamente nesta síntese de géneros que nasce a melhor música alternativa portuguesa, que reflete o caráter multicultural das atuais Lisboa e Porto.

Capitão Fausto – Escolhas

Para mergulhar mais profundamente neste ambiente musical, sugerimos que consulte outros conteúdos do nosso site. Nas secções temáticas, encontrará análises detalhadas dos principais festivais alternativos, nomeadamente: Vodafone Paredes de Coura, Ageas CoolJazz ou Festival de Gastronomia de Santarém.