Volta ao Conhecimento
A Volta ao Conhecimento é uma iniciativa de divulgação científica lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal em 2016, como evento paralelo à Volta a Portugal em Bicicleta. A primeira Volta ao Conhecimento acompanhou a Volta a Portugal de 2016, que decorreu de 27 de julho a 7 de agosto e consistiu num prólogo e em dez etapas.
A Volta ao Conhecimento uniu ciclismo e divulgação científica
A Volta ao Conhecimento é um projeto educativo único que teve como objetivo aliar o potencial científico e tecnológico de Portugal aos seus maiores eventos desportivos, nomeadamente à famosa Volta a Portugal em Bicicleta. A iniciativa foi lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em 2016.
A ideia consistia em levar as conquistas científicas para além das universidades e dos laboratórios e mostrá-las às pessoas diretamente nas ruas, onde o interesse pelo desporto serviu de ponte para o conhecimento de novas tecnologias, soluções ecológicas e investigação regional.
O projeto deu a conhecer ao público as particularidades científicas, culturais e naturais das regiões por onde passava o percurso da corrida de ciclismo, e a informação foi apresentada sob a forma de “etapas de conhecimento” – desde a história e o património até temas como a saúde, a inovação, o desporto, a gastronomia e o artesanato tradicional.
Uma vez que a maioria das universidades e centros de investigação se concentra nas grandes cidades, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior desempenhou um papel fundamental na concretização do projeto. Graças ao programa, a inovação espalhou-se para além de Lisboa e do Porto, e o percurso da corrida de bicicleta por pequenas cidades e vilas permitiu mostrar o potencial dos institutos politécnicos locais, incentivou os jovens a estudar e sublinhou a importância do desenvolvimento da ciência em todas as regiões do país.

Há Volta | Volta ao Conhecimento – Apresentação
O site oficial da iniciativa incluía materiais sobre o percurso e o contexto científico de cada etapa, e a informação também era divulgada através das redes sociais Facebook e X. A Volta ao Conhecimento realizou-se durante pelo menos três anos consecutivos – em 2016, 2017 e 2018.
Nota: A “Volta ao Conhecimento” é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), desenvolvida em parceria com a Tur de Portugal e a RTP (Televisão Pública Portuguesa), e com a participação de instituições de ensino superior, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos Superiores (CCISP) e da Agência Nacional de Inovação (ANI).
Objetivos e missão do projeto
O principal objetivo da iniciativa “Volta ao Conhecimento” consistia em tornar a ciência portuguesa acessível e compreensível para a sociedade, reduzindo a distância entre o meio académico e os cidadãos comuns. Em vez de conferências fechadas ao público, o projeto aproveitou a popularidade de eventos desportivos de grande escala, nomeadamente a Volta a Portugal, para apresentar a investigação científica e os avanços tecnológicos das universidades e dos institutos politécnicos de forma acessível, demonstrando o seu valor prático para todos.
Apresentação da iniciativa em Lisboa e mapa das etapas da Volta a Portugal
A propósito, a iniciativa “Volta ao Conhecimento” foi apresentada pela Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, a 22 de julho de 2016, no Teatro “Tália”, em Lisboa. Na mesma ocasião, foram apresentados equipamentos que pertenceram às figuras mais conhecidas do ciclismo português, nomeadamente a camisola amarela de Joaquim Agostinho e a bicicleta de Alves Barbosa, que este utilizou no “Tour de France”. Foi também exibida uma impressora 3D que criou uma maquete da bicicleta – resultado das inovações e tecnologias desenvolvidas nos laboratórios de investigação das instituições de ensino superior.
Para além de Maria Fernanda Rollo, a apresentação contou também com intervenções do Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, do presidente da RTP, Gonçalo Reis, do presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Delmira Pereira, do diretor da Volta a Portugal, Joaquim Gomes, do representante do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Manuel Assunção, e do presidente do Conselho Superior dos Institutos Politécnicos, Joaquim Moura.
Objetivos da iniciativa “Volta ao Conhecimento”
Os principais objetivos do projeto “Volta ao Conhecimento” foram estruturados em torno de três eixos principais, cada um com o seu próprio valor.
O FabLab da FCT NOVA imprimiu em 3D miniaturas de bicicletas e do percurso
- O lema 2Porque a Volta tem Ciência” reflete a ideia de combinar um evento desportivo de massas, atividades educativas e desenvolvimento regional. A ideia central reside no facto de a corrida de bicicleta não ser apenas desporto e resistência física, mas também aerodinâmica, ciência dos materiais, medicina, tecnologias digitais e ecologia, áreas que são desenvolvidas nos laboratórios científicos do país.
- A popularização da ciência junto do grande público. Ao saírem para as ruas das cidades e vilas por onde passava o percurso da corrida de ciclismo, cientistas e estudantes apresentaram os seus desenvolvimentos sob a forma de exposições interativas, oficinas abertas e demonstrações, incentivando os jovens a optar pelas disciplinas STEM e pelo ensino superior.
- E, por fim, foi uma demonstração do potencial regional, uma vez que o projeto evidenciou o papel das universidades locais e dos centros científicos como participantes importantes no desenvolvimento das regiões e na criação de um ambiente propício à inovação científica, social, económica e cultural.
Qual é o formato da “Volta ao Conhecimento”?

Há Volta | Volta ao Conhecimento – Etapa 1
A iniciativa “Volta ao Conhecimento” funcionou num formato aberto e dinâmico: levou a ciência dos laboratórios diretamente para o ambiente festivo da corrida de ciclismo Volta a Portugal. Durante a competição, os projetos científicos saíram para as ruas das cidades, fizeram parte de uma grande festa desportiva e tornaram-se acessíveis a todos – desde adeptos a residentes locais e turistas de todas as idades. Foi uma forma de mostrar que a ciência pode ser interessante, compreensível e próxima de todos.
No total, em 2016, 19 instituições de ensino superior e investigadores aderiram à iniciativa, tendo sido publicados nas plataformas digitais mais de 400 conteúdos dedicados à divulgação da ciência e do conhecimento.
Etapas e percurso da Volta ao Conhecimento
Em 2016, a Volta ao Conhecimento acompanhou dez etapas principais da Volta a Portugal em Bicicleta. O percurso passou, nomeadamente, por Óvaro, Braga, Viana do Castelo, Fafe, Montalegre, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Nazaré, Setúbal e Lisboa.
Ciência nas ruas: o stand do IPCB e a atividade de energia em bicicletas estáticas
A vertente de divulgação científica do projeto foi estruturada em dez grandes temas: território, património, saúde, inovação, literatura, história, música, desporto, gastronomia, arte e artesanato. Em particular:
- No norte do país, a atenção centrou-se na criação de materiais modernos para bicicletas e vestuário desportivo, no desenvolvimento de têxteis técnicos, na investigação da biodiversidade do Parque Natural da Penedá-Jereš, bem como no estudo de cogumelos e no fabrico tradicional de gaitas de foles na região de Trás-os-Montes.
- Nas zonas do interior da Beira, a atenção centrou-se em novas formas de utilização da madeira, em projetos de investigação conjuntos com cooperativas agrícolas e em tecnologias médicas de ponta para a regeneração do tecido ósseo e da pele após lesões.
- Na Costa Central, o contexto científico incluiu a modelação 3D do desfiladeiro da Nazaré, a utilização de biotecnologias marinhas para valorizar a produção agroalimentar e o desenvolvimento de aquários especializados para a aquicultura.
- Na zona dos estuários dos rios Sado e Tejo e na zona costeira de Lisboa, o percurso terminava com vista para a Ponte 25 de Abril – uma maravilha da engenharia, cujo 50.º aniversário da inauguração se comemorava precisamente nesse ano (tinha sido inaugurada a 6 de agosto de 1966).

Há Volta | Volta ao Conhecimento – Etapa 2
Assim, a ciência esteve presente em tudo: na história e no património das regiões, nas tecnologias de desenvolvimento de equipamento para esforços desportivos de alto nível, na medicina e na saúde, bem como no ambiente, nas paisagens, nas culturas locais e nas empresas industriais ao longo de todo o percurso.
Importância para as regiões e para o turismo
A iniciativa “Volta ao Conhecimento” teve como objetivo divulgar o potencial científico das regiões portuguesas e aproximar as instituições de ensino superior das comunidades locais. Conseguiu combinar com sucesso a dinâmica de uma corrida ciclística com uma missão educativa, criando um efeito especial: o desporto transformou-se não só numa festa e numa competição espetacular, mas também numa oportunidade para conhecer a ciência e novas ideias.
As principais vertentes de impacto e significado do projeto abrangeram vários aspetos importantes.

Há Volta | Volta ao Conhecimento – Etapa 3
- Novos conhecimentos para todos: os espaços científicos e as exposições móveis ajudaram os residentes e os turistas a conhecer os desenvolvimentos atuais de uma forma simples e compreensível.
- Combinação de desporto e educação: a corrida de ciclismo tornou-se não só uma festa para milhares de adeptos, mas também um pretexto para atividades educativas, acessíveis aos residentes locais, adeptos e visitantes das cidades ao longo do percurso.
- Tradição e modernidade: o projeto demonstrou como as novas tecnologias e a investigação podem renovar a agricultura, o artesanato, o turismo e a indústria, tornando-os mais modernos e ecológicos.
Conclusão
A Volta ao Conhecimento foi concebida como uma iniciativa estatal destinada a dar visibilidade à ciência e à educação portuguesas, não só nas grandes cidades, mas também nas regiões mais pequenas do país. Foi lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em 2016, integrando o projeto na lendária corrida ciclística Volta a Portugal em Bicicleta. Graças a isso, as conquistas científicas ultrapassaram os limites das universidades e dos laboratórios, tornando-se acessíveis às pessoas diretamente nas ruas das cidades.
Impressão 3D e corte a laser: protótipos do FabLab expostos ao longo do percurso
A iniciativa também proporcionou às universidades e aos institutos politécnicos a oportunidade de apresentar o seu potencial científico a um público alargado e de aproximar investigadores e estudantes das comunidades locais.
A Volta ao Conhecimento decorreu, pelo menos, entre 2016 e 2018. O projeto tornou-se um exemplo de como um evento desportivo de grande dimensão pode ser utilizado para popularizar a ciência, o trabalho das instituições de ensino superior e o potencial científico de várias regiões de Portugal.






