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Livraria Lello

A Livraria Lello é uma livraria histórica no centro do Porto, onde se vai não só pelos livros, mas também por um interior que parece cenário de conto de fadas. Abriu como uma livraria comum e hoje a entrada reserva-se com antecedência, como num museu. Contamos de onde vem a sua fama “potteriana”, o que há de novo em 2026 e como entrar sem enfrentar longas filas.

by Olivia Sousa

Conteúdo
Escadaria vermelha, corrimão esculpido e estantes de livros ao fundo

A escadaria vermelha é o centro das atenções da Lello

Livraria Lello, uma das livrarias mais bonitas do mundo

Esta livraria do Porto aparece regularmente nas listas das livrarias mais bonitas do mundo e há muito que se tornou uma das atrações mais procuradas da cidade. A sua imagem assenta em três elementos: estantes esculpidas que sobem até ao teto, a luz colorida do vitral e a escadaria vermelha e sinuosa que liga os pisos. Apesar da fama turística, a Livraria Lello não se transformou num museu: continua a vender livros, a publicar edições próprias e a organizar eventos literários.

Fachada neogótica e escadaria vermelha entre estantes de madeira

Escadaria vermelha da Livraria Lello vista de cima

Nome

Livraria Lello (& Irmão)

Tipo

Livraria histórica / atração turística

Cidade

Porto, Portugal

Morada

R. das Carmelitas 144, 4050-161 Porto

Origens

Raízes em 1869 (Livraria Chardron); em 1881 José Lello fundou, com o cunhado, a firma David Pereira & Lello (Rua do Almada); a Chardron foi adquirida pelos irmãos Lello em 1894

Edifício atual

Inaugurado a 13 de janeiro de 1906 (eng. Francisco Xavier Esteves)

Estilo

Edifício eclético, predominantemente neogótico, com elementos Arte Nova e apontamentos Art Déco no interior; escadaria vermelha

Estatuto (2026)

Reclassificada como Monumento Nacional (Decreto n.º 11/2026)

Entrada

Paga (Ticket-Voucher; valor descontável num livro – atualmente das Edições Livraria Lello)

Novidades (2026)

120.º aniversário; nova ala de Álvaro Siza; Manifesto Library (Dua Lipa)

A beleza da Livraria Lello, no Porto, Portugal

História do edifício da Livraria Lello

Tudo começou em 1869, quando abriu na Rua dos Clérigos a Livraria Internacional de Ernesto Chardron. O proprietário, de origem francesa, montou o negócio com dinheiro ganho na lotaria e pouco depois tornou-se também editor. Foi ele quem publicou a primeira edição de “Os Maias”, de Eça de Queirós. Em 1881, José Lello fundou na Rua do Almada, com o cunhado David Lourenço Pereira, a firma David Pereira & Lello. Após a morte de Pereira, em 1882, o irmão de José, António Lello, entrou como sócio e, em 1894, os dois compraram a antiga Chardron, juntamente com os direitos de edição dos seus autores.

O atual edifício da Livraria Lello, na Rua das Carmelitas, foi inaugurado a 13 de janeiro de 1906. O projeto do engenheiro Francisco Xavier Esteves deu origem a um edifício eclético. A fachada é decorada com duas figuras pintadas por José Bielman, alegorias da Arte e da Ciência. Ali ainda se lê o nome Chardron, embora a empresa se chame Livraria Lello & Irmão desde 1935.

Fotos a preto e branco da fachada e do interior

A Livraria Lello em imagens antigas

No chão do interior continuam à vista os carris de 1906, que até ao início dos anos 1990 serviam para levar os livros do armazém, na cave, até à sala de venda. A vagoneta que hoje lá se encontra é uma réplica.

O grande trunfo de engenharia é a escadaria. A estrutura em betão armado foi uma das primeiras do género no Porto, e o acabamento imita madeira. Na base, o próprio Esteves deixou a sua assinatura. O vermelho vivo só surgiu com o restauro de 1993. O último grande restauro terminou em 2018, três anos depois de a família de Pedro Pinto ter adquirido a posição de controlo da empresa.

Aniversário da Livraria Lello e estatuto de monumento nacional

Livraria Lello Porto: Um Novo Capítulo

A 13 de janeiro de 2026, a livraria completou 120 anos. No mesmo dia, o Governo anunciou a sua reclassificação como Monumento Nacional, oficializada a 27 de fevereiro pelo Decreto n.º 11/2026. Desde 2013, o edifício tinha um estatuto inferior, o de monumento de interesse público. Outra data marcante foi o 24 de junho, dia de São João. Foi nesse dia que abriu a nova ala projetada pelo arquiteto Álvaro Siza, com um auditório e salas de exposição, e a área total do complexo ficou perto dos 1000 m². Os novos espaços receberam a exposição ”A4”, de Ai Weiwei, e a microlivraria “Livraria 1984”, de Mike Perry, enquanto a Fundação Livraria Lello lançou o festival literário BABELL.

Como é a Livraria Lello por dentro?

É a escadaria que mais atenções atrai: desenha uma curva suave no centro da sala e é ali que quase todos os visitantes tiram fotografias. Convém, no entanto, reparar também nos pormenores que muitos deixam escapar. Nas colunas estão os bustos de escritores portugueses – Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro. Nos tetos, nas colunas e nas paredes notam-se apontamentos Art Déco.

Escadaria vermelha curva vista de cima e de frente

A escadaria é o cartão-postal da Lello, de qualquer ângulo

O vitral do teto é obra do artista neerlandês Samuel Van Krieken. Ao centro, mostra um ferreiro e a divisa:

Decus in Labore (Dignidade no Trabalho).

No restauro de 2018 surgiu no vidro uma pequena cara sorridente, que pode tentar encontrar enquanto estiver na sala.

O espaço é pequeno e, nas horas de maior afluência, a zona da escadaria fica apinhada. Se o objetivo é uma fotografia sem multidões, reserve o primeiro horário da manhã. Antes da visita, pode ver fotografias do interior da Livraria Lello nos perfis oficiais da livraria. Nas opiniões dos visitantes dominam duas emoções: o deslumbramento com o ambiente e o cansaço provocado pelas filas e pelo aperto.

A Livraria Lello e a lenda de Harry Potter

Teto de madeira esculpida, vitral colorido e visitantes na escadaria

O vitral do teto filtra a luz sobre a sala

A fama de “livraria do Harry Potter” é uma lenda turística popular, e tem uma explicação fácil de perceber. J.K. Rowling viveu de facto no Porto entre 1991 e 1993, dava aulas de inglês e, ao mesmo tempo, trabalhava no primeiro livro sobre o jovem feiticeiro. Para os fãs, foi quanto bastou para verem na escadaria vermelha um toque de Hogwarts. Daí a alcunha e a bem visível seleção dedicada a Harry Potter nas prateleiras.

No entanto, a 21 de maio de 2020, Rowling escreveu no Twitter que nunca tinha estado na Livraria Lello e que nem sequer sabia da sua existência. Os filmes também não foram rodados aqui: as filmagens decorreram no Reino Unido, sobretudo nos estúdios Warner Bros. Leavesden. O verdadeiro rasto da autora na cidade leva ao Café Majestic, na Rua de Santa Catarina, onde, segundo a própria, escreveu algumas vezes.

Manifesto Library, o projeto de Dua Lipa na Lello

A 27 de junho de 2026, abriu aqui, de forma permanente, a Manifesto Library – um projeto da cantora britânica Dua Lipa e do seu clube de leitura Service95.

Mulher com dois livros de Margaret Atwood e estantes modernas

Cem livros proibidos ou censurados na Manifesto Library, no Porto

A coleção reúne 100 livros que foram proibidos, censurados ou contestados em vários países, organizados em quatro temas: poder, controlo, voz e memória.

A biblioteca ocupa o novo auditório da ala de Álvaro Siza e foi inaugurada no âmbito do festival BABELL. Não é preciso bilhete à parte: o acesso à Manifesto Library está incluído no Ticket-Voucher normal da Livraria Lello.

Bilhetes da Livraria Lello e como comprá-los

A livraria passou a cobrar entrada a 23 de julho de 2015, numa altura em que chegavam a entrar 5 mil pessoas por dia. O bilhete pretendia travar o fluxo de visitantes num espaço pequeno e devolver à Lello a reputação de livraria, e não apenas de atração turística. E o dinheiro não se perde: o valor do voucher pode ser descontado na compra de um livro.

A forma mais simples de comprar o bilhete é no site oficial da livraria: escolhe a data e a hora exata de entrada, e o voucher continua válido durante 60 minutos depois dessa hora. Se chegar com mais de uma hora de atraso, deixa de ser válido, por isso tenha em conta o tempo de deslocação. No verão, os horários mais procurados esgotam depressa, pelo que convém reservar com antecedência. Os momentos mais calmos costumam ser os últimos horários do dia e a época baixa. A entrada prioritária reduz a espera, mas nem um bilhete com a indicação “skip the line” garante que não haverá fila nenhuma.

Turistas em fila à entrada e fachada com letreiro Lello

Reservar com antecedência ajuda a evitar a fila à porta

Tipos de bilhete

Aqui, o bilhete funciona como Ticket-Voucher e há várias opções, que diferem no nível de acesso e no que incluem, como a entrada prioritária ou a reserva de um livro. As modalidades e os preços mudam periodicamente, por isso convém confirmar as condições em vigor imediatamente antes da compra. Algumas opções, como o Gold Ticket, também são vendidas por plataformas turísticas intermediárias; nesse caso, antes de pagar, é melhor verificar o que está exatamente incluído no bilhete.

Aspeto

Detalhe

Nota

Entrada

Paga (voucher de acesso)

O valor é descontável num livro (atualmente das Edições Livraria Lello – confirmar)

Tipos de bilhete

Vários tipos de Ticket-Voucher

Confirmar os tipos e preços atuais no checkout oficial; o Ticket-Voucher de visita inclui a Manifesto Library; o bilhete da exposição A4 (Ai Weiwei) não inclui o edifício histórico

Reserva

Bilhete/voucher para uma hora selecionada

Recomendado reservar antecipadamente

Crianças

Até aos 3 anos (inclusive): entrada gratuita, acompanhadas por um adulto

Confirmar a regra à data da visita

Horário

Diariamente, 9h00–19h30; encerra a 1/1, Domingo de Páscoa, 1/5, 24/6 e 25/12

Confirmar no site oficial

Homem diante das estantes e multidão às mesas de livros

Nas horas de maior afluência, a sala principal fica cheia

Como chegar à Livraria Lello?

A livraria fica na Rua das Carmelitas, 144, na zona pedonal do centro histórico. A partir da estação Aliados, na linha amarela (D) do metro, são 5 a 8 minutos a pé, e há paragens de autocarros urbanos nas proximidades. Se vier de comboio, a subida desde a estação de São Bento demora cerca de 10 minutos. Ali perto ficam a Torre dos Clérigos, o Jardim da Cordoaria e a Igreja do Carmo, com azulejos na fachada, pelo que é fácil juntar tudo num só passeio. Para planear o percurso pela cidade, pode recorrer ao guia turístico oficial Visit Porto.

Perguntas frequentes sobre a Livraria Lello

Quanto custam os bilhetes da Livraria Lello?

Não há um preço fixo: o valor depende do tipo de Ticket-Voucher e muda de tempos a tempos. Os valores atualizados estão no site oficial da livraria.

É possível trocar o bilhete por qualquer livro?

Não. Em setembro de 2026, o valor do voucher só era descontado na compra de títulos das Edições Livraria Lello, a editora da própria livraria.

Qual é o horário da Livraria Lello?

Todos os dias, das 9h00 às 19h30, exceto a 1 de janeiro, no Domingo de Páscoa, a 1 de maio, a 24 de junho e a 25 de dezembro. O horário pode sofrer alterações, por isso convém confirmá-lo antes da visita.

É possível visitar a Livraria Lello com crianças?

Sim. As crianças até aos 3 anos, inclusive, entram gratuitamente se estiverem acompanhadas por um adulto, mas convém confirmar esta regra para a data da visita.

A Livraria Lello inspirou mesmo “Harry Potter”?

Não, é apenas uma lenda turística: a própria J.K. Rowling garantiu que nunca cá esteve. O sítio do Porto onde realmente trabalhou nos seus textos é o Café Majestic.

O bilhete da exposição de Ai Weiwei dá acesso à livraria?

Não. O bilhete da exposição “A4” é vendido à parte e não dá acesso à sala histórica; para a visitar, é preciso o Ticket-Voucher.