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Samuel Úria

O artista é cantautor, guitarrista e autor, oriundo de Tondela e radicado em Lisboa há cerca de duas décadas. Faz parte do núcleo duro do movimento FlorCaveira, fundado em 1999, e arrecadou em 2014 o Prémio SPA de Melhor Canção do Ano com Lenço Enxuto. Assina álbuns como Carga de Ombro (2016), Canções do Pós-Guerra (2020) e o recente trabalho de 2024, e escreve regularmente para colegas como Ana Moura, António Zambujo e Clã. Os palcos das duas grandes salas de espetáculo de Norte e capital contam-se já entre os marcos do seu percurso.

by Olivia Sousa

Conteúdo

Para quem prefere uma leitura ainda mais rápida em formato de lista, aqui ficam os seis pontos que permitem ficar com uma fotografia mental do músico em menos de um minuto.

  1. Cresceu em terras beirãs, filho de uma família protestante ligada à Igreja Batista, sendo os avós maternos os primeiros batistas dessa região.
  2. É membro do movimento FlorCaveira, conhecido pelo slogan Religião & Panque Rock, criado em 1999 pelo músico Tiago Guillul.
  3. Cruza rock, folk, gospel e punk-rock vintage no formato Velhas Glórias e dialoga com filarmónica no projeto Os Ninivitas.
  4. Em 2009 gravou o álbum A Descondecoração num único dia, com transmissão direta na internet e sugestões dos ouvintes em tempo real.
  5. Em dezembro de 2024 publicou pela editora FlorCaveira um disco sobre o desencanto e a esperança da geração que cresceu à espera do novo milénio.
  6. Em 2017 entrou no festival da cancao da RTP1 com a dupla Golden Slumbers, conhecida da rubrica No Ar da Antena 3.

Em jeito de cartão de visita para quem chega agora à sua obra, reunimos abaixo uma ficha resumida com as datas, lugares, projetos e características que ajudam a perceber porque é que este músico de Beira Alta se tornou referência incontornável da canção portuguesa do século XXI.

Nome completo

Samuel da Silva Úria

Data de nascimento

18 de setembro de 1979

Signo zodiacal

Virgem

Naturalidade

Tondela, distrito de Viseu, Portugal

Região cultural

Beira Alta, centro-norte de Portugal

Nacionalidade

Portuguesa

Ocupação

Cantautor, compositor, guitarrista, letrista

Profissão anterior

Professor de Educação Visual em ensino básico

Géneros musicais

Rock, folk, gospel, pop, punk vintage

Línguas em que canta

Português (raras passagens em inglês)

Instrumento principal

Guitarra acústica

Outros instrumentos

Guitarra elétrica, harmónica

Editora

FlorCaveira (desde 2003)

Confissão religiosa

Igreja Batista, família protestante beirã

Movimento artístico

FlorCaveira (fundado por Tiago Guillul, 1999)

Lema do movimento

Religião & Panque Rock

Bandas e projetos

As Velhas Glórias, Os Ninivitas, XNC

Estreia discográfica

O Caminho Ferroviário Estreito (2003)

Número total de álbuns

11 trabalhos publicados, contando EP e edições solo

Trabalho mais recente

Álbum lançado em dezembro de 2024 (FlorCaveira)

Anos de atividade

1999 – presente

Participação em FdC

Edição de 2017, com a dupla Golden Slumbers

Prémio mais conhecido

Prémio SPA Melhor Canção do Ano (2014, Lenço Enxuto)

Autoria para terceiros

Ana Moura, António Zambujo, Clã, Kátia Guerreiro

Cidade onde reside

Lisboa (desde 2006-2007)

Cidades anteriores

Várias cidades do Centro e Sul do país durante anos nómadas

Sinais distintivos

Patilhas largas e nariz proeminente

Plataformas oficiais

Streaming áudio, redes sociais, vídeo e Bandcamp

Estilo de palco

Blusão de cowboy e mocassins de índio

Samuel Úria – Teimoso

A origem do talentoso Samuel Úria e o início da sua carreira

Quando alguém procura na Antena 3 uma canção portuguesa contemporânea com letra que pesa, refrão que se assobia ao quarto compasso e voz reconhecível à primeira nota, há boas hipóteses de a resposta atender pelo nome de Samuel Uria. Nascido a 18 de setembro de 1979 em Tondela, no distrito de Viseu, este cantautor é uma das vozes mais singulares do panorama nacional, capaz de cruzar rock, folk, gospel e poesia sem soar a fórmula.

É membro-fundador do movimento FlorCaveira – criado por Tiago Guillul em 1999 sob o lema Religião & Panque Rock – e lidera as duas formações ao vivo As Velhas Glórias e Os Ninivitas, além de integrar o coletivo XNC.

As salas esgotadas nas grandes casas portuenses e lisboetas durante a digressão do disco mais recente confirmaram aquilo que a crítica vinha a sublinhar há mais de uma década.

Tondela e a herança familiar do cantautor beirão

Não se entende a escrita deste autor sem se entender a vila onde cresceu. Foi ali, na fronteira entre o casco urbano e o campo, que passou a infância – "no fim dos bairros, com árvores e montes no quintal", como o próprio costuma resumir em entrevistas. Permaneceu na sua terra natal até por volta dos vinte anos, antes de partir para uma série de cidades intermédias que viriam a moldar a sua geografia interior. A casa onde cresceu era simultaneamente espaço doméstico e pequeno centro musical: a mãe, professora, dava aulas a crianças com idades muito próximas das do filho, que fugia das lições para não parecer "o menino da mamã" – um arrependimento confessado anos mais tarde, sobretudo no que toca ao solfejo nunca dominado.

O pai aparece nas memórias do cantor como aquele homem que, todos os verões, descia a Lisboa e voltava com uma "mala cheia de discos" – entre eles vinis de Nat King Cole, que entraram cedo no imaginário sonoro do filho. Outro episódio marcante é o concerto de Compay Segundo na vila beirã, antes da febre internacional do Buena Vista Social Club. A camada religiosa também é decisiva. Os avós maternos foram dos primeiros protestantes batistas da terra – a igreja é a terceira mais antiga do género em Portugal – e viveram, ainda nos anos 1960 e 1970, episódios de apedrejamento pela vizinhança, num tempo em que o país era confessionalmente menos plural do que parece à distância.

Da Beira Alta à capital, a geografia errante do compositor

Quando deixou a vila natal, o futuro cantautor entrou naquilo a que ele próprio chama uma fase "nómada – praticante mas não afecto". Passou por Coimbra, por Leiria, pela Figueira da Foz e por Évora antes de assentar arraiais em Lisboa, em 2006-2007. Cada uma destas cidades deixou marca audível na sua escrita: a vida académica conimbricense ofereceu-lhe leituras e amigos de juventude que ainda aparecem hoje em dedicatórias; a localidade atlântica emprestou-lhe uma certa melancolia salgada; Évora aparece nos discos como paisagem mental de calor e pedra. Foram quase oito anos a percorrer o país antes de se fixar definitivamente na capital.

Sobre a vida lisboeta, ficou famosa uma frase sua dada à imprensa cultural:

Em Lisboa, o tempo só é longo nas coisas intermédias, quando estamos a ir de um lado para o outro, no trânsito.

Antes da música a tempo inteiro, exerceu a profissão de professor de Educação Visual numa escola, atividade que abandonou quando a carreira artística passou a exigir disponibilidade total. Ainda hoje fala dessa fase com alguma ternura, sobretudo no contacto com adolescentes a quem confessa ter aprendido tanto quanto ensinou.

Não Arrastes O Meu Caixão – Samuel Úria

FlorCaveira, Velhas Glórias e o despertar autoral

A editora e movimento FlorCaveira, fundado por Tiago Guillul em 1999 sob o slogan Religião & Panque Rock, é o ecossistema natural do cantor beirão. Aí publicou os dois primeiros álbuns, O Caminho Ferroviário Estreito (2003) e o homónimo da banda de acompanhamento (2005), trabalhos de baixa fidelidade que já anunciavam o cruzamento entre rock'n'roll vintage, gospel branco e poesia confessional. O ano-charneira foi 2008, com o EP Em Bruto, seguido em 2009 pelo primeiro álbum Nem Lhe Tocava – disco que atraiu pela primeira vez a atenção alargada da crítica nacional e abriu portas a digressões fora dos circuitos alternativos.

Dentro da família FlorCaveira, este compositor é parte de várias formações simultâneas. Os Ninivitas funcionam como supergrupo do coletivo, juntando vários protagonistas da editora em torno de um som mais coral, próximo da filarmónica popular. Desde 2013 integra o XNC, projeto formado com Tiago Guillul, Alex D'Alva Teixeira e Martim Torres, com matriz mais experimental. Existe ainda a hipótese, nunca totalmente confirmada, de ter participado como alter-ego no projeto Maria Clementina, que durante alguns anos animou o circuito alternativo lisboeta com letras enigmáticas e identidade reservada.

Os discos que valem a viagem

O percurso autoral acompanha de perto a evolução pessoal do músico, e a melhor forma de ler essa trajetória é dispor os trabalhos por ordem cronológica, com formato, editora e particularidades de cada gravação. A tabela seguinte funciona como mapa visual da discografia oficial – útil para quem queira começar pelo princípio ou recuperar trabalhos esquecidos.

Samuel Úria – Barbarella e barba-rala

Ano

Título

Formato

Editora

Notas e particularidades

2003

O Caminho Ferroviário Estreito

Álbum

FlorCaveira

Estreia oficial dentro do movimento beirão e lisboeta

2005

Samuel Úria & As Velhas Glórias

Álbum

FlorCaveira

Lançamento da banda de acompanhamento ao vivo

2008

Em Bruto

EP

FlorCaveira

Ponto de viragem mediático e crítico

2009

Nem Lhe Tocava

Álbum

FlorCaveira

Primeira longa-duração com forte impacto na imprensa

2010

A Descondecoração de Samuel Úria

Álbum

FlorCaveira

Gravado em apenas um dia (10 de junho de 2009) em direto na internet

2013

Grande Medo do Pequeno Mundo

Álbum

FlorCaveira

Convidados como Manel Cruz, Márcia, António Zambujo e Miguel Araújo

2016

Carga de Ombro

Álbum

FlorCaveira

Inclui Dou-me Corda, primeiro single do disco

2018

Marcha Atroz

Álbum

FlorCaveira

Continuação da escrita confessional iniciada em 2016

2020

Canções do Pós-Guerra

Álbum

FlorCaveira

Trabalho pensado em pleno confinamento pandémico

2021

Canções do Pós-Guerra – Solo

Álbum

FlorCaveira

Versão acústica e despida do disco anterior

2024

Disco da viragem do milénio

Álbum

FlorCaveira

Lançado em dezembro, abriu a digressão pelos grandes recintos

Samuel Úria – Lenço Enxuto (ao vivo)

Entre os temas mais ouvidos, a musica mais famosa é, sem dúvida, Lenço Enxuto, que valeu ao seu autor o reconhecimento da Sociedade Portuguesa de Autores em 2014. Logo a seguir, Dou-me Corda – primeiro single de Carga de Ombro (2016) – passou a integrar a lista de canções obrigatórias em qualquer espetáculo seu. Outros títulos que merecem destaque numa biografia musical do autor são Teimoso, Não Arrastes O Meu Caixão, Barbarella e Barba Rala, Espalha Brasas, Em Caso de Fogo, Pedra e Cal e É Preciso Que Eu Diminua, todos eles peças de leitura quase obrigatória para quem quer aprender os acordes deste cantautor à guitarra acústica.

Samuel Úria – Dou-me Corda

Manifesto de uma geração à viragem do milénio

O álbum 2000 ad, publicado em dezembro de 2024 pela FlorCaveira, é a obra mais ambiciosa do compositor até à data. O título – sigla que joga simultaneamente com o calendário cristão Anno Domini e com o sonho coletivo da viragem do milénio – é uma homenagem ao otimismo com que a geração dos anos 1980 olhou para a chegada do ano 2000, contrastado com a desilusão do presente. A palete sonora é mais larga do que nunca: rock muscular, arranjos de cordas, gospel, salsa e pop convivem em pouco mais de quarenta minutos. Entre os temas surge ainda uma versão musicada do poema Um Adeus Português, de Alexandre O'Neill, e uma referência sentida ao amigo Xico da Ladra.

SAMUEL ÚRIA – UM ADEUS PORTUGUÊS (vídeo-letra)

A LX Factory e outros polos criativos da capital têm acolhido nos últimos anos sessões mais intimistas deste cantor, mas a digressão de apresentação do novo album consolidou-o como cabeça-de-cartaz, com paragens marcantes na grande sala de espetáculos do porto a 17 de outubro de 2025, na principal sala da capital e na Casa da Cultura de Seia. O espetáculo portuense foi particularmente memorável: Carol, Margarida Campelo, Manuela Azevedo, Milhanas e Gisela João subiram ao palco como convidadas. Com Manuela Azevedo interpretou uma versão acústica de Carga de Ombro, num dos momentos mais comentados nas redes sociais nos dias seguintes ao espetáculo. Tudo isto está hoje disponível em registos audiovisuais publicados pelo coletivo FlorCaveira.

SAMUEL ÚRIA – 2000 A.D.

O letrista que escreve para vozes alheias

Para além da carreira própria, este cantautor consolidou nos últimos quinze anos uma reputação que poucos pares têm: a de autor pedido a meio gás por outros artistas para escrever canções à medida da voz alheia. Entre os nomes que já trabalharam com letras suas estão Ana Moura, António Zambujo, a banda Clã e a fadista Kátia Guerreiro – e o seu próprio gosto pelo rock alternativo conduz-no naturalmente para a órbita de grupos como os Capitão Fausto, referência incontornável da nova vaga lisboeta. "Comecei a fazer canções simultaneamente por recreação e por necessidade afetivo-espiritual", disse uma vez à imprensa, explicando que escrever para terceiros lhe traz um prazer comparável – e por vezes superior – ao da escrita autoral.

Esta dupla vertente, autor de si próprio e autor de outros, ajuda a explicar a longevidade da sua presença nos palcos e nas tabelas portuguesas de venda física. Quando alguém pergunta onde encontrar discos de Samuel Uria vinil, a resposta passa quase sempre pelas reedições limitadas da FlorCaveira e por algumas lojas independentes das duas grandes cidades do litoral – formatos que costumam esgotar nas primeiras semanas, sobretudo quando há datas marcadas na agenda imediata.

Aquela noite na RTP1 e o concurso que cantou em português

Em 2017, depois de o seu nome ser apontado durante anos como hipótese, o autor de Lenço Enxuto aceitou finalmente o convite da estação pública para entrar na competição da Eurovisão. Levou a tiracolo a dupla Golden Slumbers, que conhecia da rubrica No Ar da Antena 3, e propôs uma balada folk de raízes americanas, mas cantada em português, que pretendia honrar a tradição do concurso em vez de a parodiar. A explicação que deu nessa ocasião permanece como uma das frases mais lembradas dessa edição.

"O Festival da Canção é uma celebração, e eu não queria emperrá-lo com lamentos", disse o cantor à comunicação social. Mais do que disputar lugares ou rivalizar com outros artistas, interessava-lhe contribuir com uma peça que pudesse permanecer na memória do certame. Não venceu, mas a sua presença confirmou aquilo que muitos espetadores suspeitavam: o concurso tem espaço para gente do circuito de autor, à imagem do que viria a acontecer em edições seguintes com nomes presentes na lista dos cantores contemporâneos mais relevantes de Portugal – entre eles Conan Osíris, que alguns anos depois levaria a Lisboa um espetáculo igualmente inclassificável.

Fé batista, humor afiado e leitura política do mundo

Samuel Úria – É preciso que eu diminua

A pertença à Igreja Batista – herança direta da família, que se converteu ao protestantismo nos anos 1960 – atravessa muitas das letras escritas por este artista, mas raramente de forma proselitista. "Citar a Bíblia é um incómodo. A ideia antiga de amar o nosso inimigo é a mais punk rock que existe", explicou em entrevista à imprensa generalista, naquela que viria a ser uma das suas frases mais citadas. Esta combinação de fé, humor e olhar afiado sobre o quotidiano dá às suas canções uma camada extra que distingue o seu trabalho de boa parte da pop nacional.

A dimensão política, embora menos óbvia, está lá. Foi autor da banda sonora do podcast do jornal Observador A Eleição Mais Louca de Sempre, sobre as presidenciais de 1986 que opuseram Mário Soares a Diogo Freitas do Amaral. Aceitou também trabalhos de natureza comercial que não obrigaram a abdicar da sua estética: a campanha do IKEA com o cantor Toy e a parceria com a Ana Bacalhau para uma série de spots da operadora NOS. "O artista não deve ter medo da publicidade", costuma defender, "o problema é fazer publicidade aborrecida".

Vida privada longe dos holofotes

Pouco se sabe sobre a esposa do cantor, e essa discrição não é acidental. Em entrevistas, o músico tem sido cordial mas inflexível sempre que o tema da vida pessoal vem à baila: prefere preservar a família dos holofotes, e nunca confirmou publicamente o nome da mulher com quem partilha o dia-a-dia na capital. Sobre a existência de filhos, mantém a mesma postura – não confirma, não desmente, e prefere que essas conversas fiquem fora do espaço público. Quando algum jornalista insiste em saber quem é a sua namorada atual ou se houve relações anteriores notórias, a resposta tende a ser um sorriso oblíquo e a devolução da pergunta para o terreno musical.

No plano físico, há detalhes que costumam ser sublinhados nos perfis publicados na imprensa cultural. A altura do artista ronda, segundo descrições próximas, valores médios para um homem português adulto, mas o que efetivamente identifica este compositor são duas marcas registadas: o nariz proeminente, motivo recorrente de auto-ironia nas próprias letras, e as patilhas largas, que se tornaram parte da sua silhueta de palco. Sobre tatuagem, o cantor é igualmente discreto e raramente exibe braços descobertos em sessões fotográficas, embora alguns retratos sugiram a existência de pequenos desenhos no antebraço. O estilo de roupa é descrito por um jornalista cultural como "blusão de cowboy e mocassins de índio", expressão que resume bem o cruzamento entre folk americano e identidade rural portuguesa.

Como funcionam as digressões e onde reservar lugar

A digressão pelos grandes recintos de 2025-2026, ligada ao álbum mais recente, mostrou que a procura por concertos deste autor cresceu de forma estável ao longo da última década. As datas em salas grandes esgotam tipicamente em poucas semanas, pelo que a recomendação prática para os fãs costuma ser simples: subscrever a newsletter da FlorCaveira e seguir as contas oficiais para receber as datas em primeira mão. Quem prefira planear com mais antecedência pode consultar o calendário de eventos musicais em Portugal agregado por imprensa especializada, que costuma ter as datas confirmadas antes da abertura geral de bilheteiras.

No que toca à compra propriamente dita, os preços costumam variar entre os 18 e os 35 euros para sessões em salas médias, e podem chegar aos 45-55 euros em recintos de maior dimensão, como qualquer coliseu histórico. As principais plataformas onde encontrar bilhetes incluem Ticketline, Blueticket, Fnac e a bilheteira do próprio recinto, sendo aconselhável escolher lugares centrais nas plateias quando o espetáculo prevê convidados – algo recorrente nesta digressão.

SAMUEL ÚRIA ft MARGARIDA CAMPELO & OS 12 AO TODO – KUCHISABISHII (AO VIVO NO COLISEU)

Para quem quer organizar a sua presença num espetáculo dele, deixamos aqui um checklist prático com aquilo que costuma fazer diferença na experiência.

  • Chegar com pelo menos 45 minutos de antecedência, sobretudo nas salas históricas onde a entrada é manual e o controlo bilhete a bilhete demora.
  • Levar dinheiro ou cartão para o merchandising oficial, que costuma incluir vinis numerados, t-shirts e cadernos de letras vendidos diretamente pela editora.
  • Verificar se a sessão tem parte acústica anunciada – quando há, vale a pena pedir lugar nas filas da frente da plateia, onde a balança técnica é mais favorável.
  • Consultar antecipadamente o setlist provável da noite em sites de fãs e plataformas dedicadas, para reconhecer os arranjos novos das canções mais antigas.
  • Trazer agasalho em sessões de outono e inverno nas salas mais antigas, onde o aquecimento das galerias laterais costuma ser modesto.

Onde acompanhar o cantor nas redes e em vídeo

Apesar da reserva em relação à vida privada, este músico mantém uma presença sólida nas redes sociais e em plataformas de streaming. O canal de youtube oficial da FlorCaveira agrega quase toda a sua produção em formato áudio, além de videoclipes oficiais e registos ao vivo de espetáculos antigos – incluindo o famoso direto da gravação de A Descondecoração, que ainda hoje circula em versões integrais. O perfil de instagram do artista funciona, sobretudo, como agenda informal: anúncios de datas, fotografias de bastidores, partilhas de outros músicos da família FlorCaveira e ocasionalmente excertos de novas demos.

Para quem prefere as plataformas oficiais à imprensa generalista, deixamos abaixo os atalhos diretos para os principais canais onde a atualidade do artista é publicada antes de chegar aos jornais.

Curiosidades e factos pouco conhecidos sobre o autor

Entre as histórias que circulam em entrevistas, em conversas de fãs e nos perfis de revistas culturais, há um conjunto de pequenas particularidades que ajudam a compor o retrato fora do palco. Algumas são confessadas pelo próprio em conversas longas, outras são deduzidas a partir de notas de imprensa antigas ou apontamentos de jornalistas que o seguem há vários anos.

  • É um colecionador discreto de discos antigos, com particular fraqueza por edições portuguesas dos anos 1960 e 1970 em formato físico.
  • Aprendeu a tocar guitarra praticamente em autodidata, depois de fugir das aulas de música da mãe – facto que cita hoje como o seu maior arrependimento musical.
  • Costuma referir o cinema americano de John Ford e os filmes de Pedro Costa como influências indiretas na construção das letras.
  • Já participou em vários discos de tributo a outros compositores portugueses, com versões pessoais de canções de Sérgio Godinho e José Mário Branco.
  • As sessões dadas na cidade invicta têm-se distinguido pela escolha cuidada de convidadas femininas, mostrando o seu interesse pela renovação geracional da música portuguesa – tradição que dialoga com a herança aberta por nomes maiores como Mariza.

Considerações finais para quem quer começar a ouvir

Por onde começar a explorar a obra deste cantautor depende muito do gosto pessoal de cada ouvinte. Quem privilegia letras densas e arranjos mais despidos pode entrar pelo álbum Canções do Pós-Guerra – Solo, de 2021, gravado quase só com guitarra e voz. Quem prefira a banda em formato pleno tem em Carga de Ombro (2016) o disco perfeito para uma primeira escuta, com Dou-me Corda e Pedra e Cal a funcionarem como portões de entrada. Para quem quer apanhar o artista no presente, o trabalho de 2024 oferece a fotografia mais nítida de onde se encontra hoje, tanto em termos sonoros como em termos de pensamento.

No fim de contas, há algo de raro num músico que conjuga prémio SPA, salas esgotadas em Lisboa e no Norte, escrita para colegas como Ana Moura ou António Zambujo, e um pé sempre firmemente plantado na sua terra natal. Quem se quiser aproximar dessa singularidade tem agora todo o material à mão, e é provável que descubra, dentro de poucos discos, porque é que o nome volta sempre às listas dos melhores autores portugueses contemporâneos.

Samuel Úria – Espalha Brasas

Perguntas frequentes sobre o autor de Lenço Enxuto

Há um conjunto de dúvidas que se repetem em motores de busca quando o nome deste artista é digitado. Reunimos as mais frequentes numa secção de respostas curtas, pensada para quem chega a este texto à procura de uma informação concreta e não quer percorrer todo o artigo.

Que idade tem o cantor de Tondela?

Em maio de 2026, o autor tem 46 anos, completos a 18 de setembro de 2025. Esta marca dos quarenta e poucos é frequentemente referida em entrevistas como elemento simbólico, sobretudo agora que o disco mais recente reflete sobre a maturidade da geração nascida em finais dos anos 1970 e início dos anos 1980.

De onde é natural o autor?

Nasceu e cresceu em Tondela, no distrito de Viseu, região da Beira Alta. Permaneceu na vila até por volta dos vinte anos, antes de iniciar uma fase de mobilidade entre várias cidades portuguesas. Atualmente reside em Lisboa, embora regresse com frequência ao Centro do país para descansar e escrever.

Tem cônjuge ou descendentes conhecidos publicamente?

Mantém a vida familiar resguardada e nunca confirmou publicamente o nome da companheira nem revelou se tem descendência direta. Em entrevistas, o músico costuma desviar com humor estas perguntas para devolver o foco aos discos.

Qual o álbum mais recente do compositor?

O trabalho mais recente é o que assinala o título 2000 a.d., lançado em dezembro de 2024 pela editora FlorCaveira. O disco abriu uma ampla digressão por salas portuguesas, que incluiu os grandes recintos do Norte e da capital, além de cidades como Seia, Aveiro e Faro.

O que é a FlorCaveira?

Trata-se de um coletivo artístico e editora discográfica independente, fundado em 1999 pelo músico Tiago Guillul, sob o lema Religião & Panque Rock. Reúne autores que cruzam canção de autor, rock alternativo e referências bíblicas, e é hoje uma das casas mais respeitadas do circuito independente nacional.

Quais as músicas mais conhecidas do autor?

Os títulos mais ouvidos são Lenço Enxuto, Dou-me Corda, Teimoso, Não Arrastes O Meu Caixão, Barbarella e Barba Rala, Espalha Brasas e Pedra e Cal. Estas canções costumam ser pedra angular de qualquer alinhamento em sessões longas.

Já participou no Festival da RTP?

Sim, participou na edição de 2017, em parceria com a dupla Golden Slumbers. Apresentou uma canção de matriz folk americano cantada em português e, embora não tenha vencido, deixou uma das atuações mais comentadas dessa edição.

Escreveu canções para outros artistas portugueses?

Tem assinatura ou coautoria em temas gravados por Ana Moura, António Zambujo, Clã e Kátia Guerreiro, entre outros. A faceta de autor para terceiros é uma parte substancial do seu rendimento profissional e da sua presença no panorama nacional.