Neuraspace
Em 2021, havia cerca de 8.000 satélites em órbita. Em 2025, são já aproximadamente 15.000. Em 2030, prevê-se que esse número ultrapasse os 100.000. Num espaço cada vez mais congestionado, onde fragmentos de lixo viajam a 25.000 quilómetros por hora e onde um parafuso de um centímetro pode destruir um satélite de vários milhões de euros, alguém tinha de fazer o papel do controlador de tráfego aéreo – mas lá em cima. Essa empresa chama-se Neura Space e é portuguesa, nasceu em Coimbra em 2020, e já é reconhecida internacionalmente como uma das líderes mundiais em gestão de tráfego espacial.
Neuraspace – uma startup portuguesa que monitoriza a segurança dos satélites em órbita
Campo | Detalhe |
|---|---|
Nome | Neuraspace |
Fundação | 2020, em plena pandemia |
Sede | Instituto Pedro Nunes, Universidade de Coimbra |
Outros escritórios | Lisboa; Munique (TUM Venture Lab Aerospace) |
Fundador | Nuno Sebastião (cofundador da Feedzai) |
CEO | Chiara Manfletti (ex-presidente da Agência Espacial Portuguesa) |
Director de negócios | Carlos Cerqueira |
Financiamento total | +€25 milhões (inclui investimento PRR) |
Investidor inicial | Armilar Venture Partners (€2,5 M, fevereiro 2022) |
Satélites monitorizados | +500 (2025) |
Receita 2025 | €1,8 milhões (mais do triplo face ao ano anterior) |
Prémios | Melhor pitch em comunicações espaciais, Tech Tour Space 2024, Noruega |
Site oficial | |

NeuraspaceDEF
Neuraspace Portugal e a origem de uma ideia nascida numa pandemia
Tudo começa com Nuno Sebastião, o cofundador da Feedzai – o unicórnio português que aplica inteligência artificial à detecção de fraude financeira. Antes da Feedzai, Sebastião trabalhou no Centro de Operações da Agência Espacial Europeia (ESA), uma experiência que o deixou atento aos desafios do espaço durante anos. A ideia que germinou nessa altura foi simples na sua formulação: os problemas do espaço têm muitas semelhanças com os da banca. Em ambos os casos, há enormes volumes de dados, há riscos de colisão (literal no espaço, metafórica nas finanças), e há uma janela de oportunidade para quem consiga aplicar IA de forma eficaz.
A empresa nasceu formalmente em 2020, em plena pandemia, o que obrigou toda a equipa a começar como organização completamente remota. A equipa distribuiu-se por Coimbra, Lisboa, Braga e Munique antes de ter sequer um escritório físico. Coimbra foi escolhida sede quase como um regresso às origens – tal como a Feedzai, também ela nasceu na mesma cidade. A incubação no Instituto Pedro Nunes, ligado à Universidade de Coimbra, deu à empresa o acesso à rede académica e científica de que precisava nos primeiros meses.
Visualização do tráfego espacial em torno da Terra – uma ilustração clara da crise que a startup portuguesa está a aprender a controlar
A Universidade de Coimbra e o Instituto Pedro Nunes têm sido plataformas de lançamento para projectos com impacto global, e a Neura-Space é talvez o exemplo mais recente e concreto dessa capacidade de exportar inovação a partir do centro do país.
Neura Space, o problema que resolve e por que é urgente
A startup sediada em Coimbra não se limita a monitorizar o problema – desenvolveu uma solução operacional que transforma o caos orbital em tráfego gerido de forma inteligente. Utilizando inteligência artificial avançada e machine learning, criou uma plataforma SaaS que prevê colisões com maior precisão (detectando até 50% mais riscos de alto impacto), processa dados de múltiplas fontes em tempo real e sugere manobras orbitais concretas de evasão até 5 dias antes de uma conjunção. Num cenário em que o número de satélites activos deve explodir de cerca de 15.000 em 2025 para mais de 100.000 em 2030, e com mais de 500 satélites já monitorizados diariamente, esta capacidade não é apenas competitiva: é urgente para garantir a sustentabilidade, a segurança e a resiliência da economia espacial global, evitando o efeito dominó da Síndrome de Kessler.
Um satélite em órbita terrestre e uma equipa de operadores no centro de controlo – é assim que se apresenta o trabalho de monitorização do tráfego espacial, que a Neuraspace está a automatizar
O lixo espacial como crise silenciosa
Quando a maioria das pessoas pensa em "lixo", pensa em plástico nos oceanos ou em emissões de carbono. Há, porém, outro tipo de poluição que cresce a uma velocidade alarmante e que ameaça colapsar a infraestrutura digital de que o mundo moderno depende: o lixo espacial.
A startup de Coimbra define o problema com precisão: existem actualmente mais de 36.000 objectos maiores de 10 centímetros a circular em órbita, cerca de um milhão entre um e dez centímetros, e 130 milhões com menos de um centímetro. Todos em movimento. Todos potencialmente letais para os satélites que gerem telecomunicações, internet, navegação GPS, monitorização climática e operações militares.
Um fragmento de menos de 10 centímetros não é rastreável pelos métodos tradicionais mas viaja a velocidades suficientes para destruir completamente um satélite de 200 ou 300 milhões de euros. Sem esses satélites, serviços que hoje consideramos básicos – da internet nos telemóveis à meteorologia – ficam em risco.
Interface da plataforma Neuraspace SaaS – sistema de alerta de aproximação de satélites e recomendações para manobras orbitais
Como a plataforma funciona na prática
A solução da Neuraspace é uma plataforma SaaS (Software as a Service) assente em três pilares técnicos:
- Agregação de dados de múltiplas fontes – a empresa combina dados de radares próprios, telescópios ópticos, parcerias com agências espaciais e fornecedores privados para construir um catálogo de objectos em órbita mais completo e preciso do que qualquer fonte isolada.
- Algoritmos de IA e Machine Learning – a plataforma processa esses dados em tempo real e calcula probabilidades de colisão com uma precisão superior à dos métodos manuais tradicionais, detectando até 50% mais colisões de alto risco.
- Recomendações accionáveis – quando existe risco real, o sistema não se limita a avisar: sugere manobras orbitais concretas (vira à esquerda ou à direita, em linguagem simplificada do director de negócios Carlos Cerqueira), reduzindo a intervenção humana até 75%.
Três áreas-chave da Neuraspace: trajetórias orbitais de satélites sobre a Terra, um minissatélite no espaço aberto e uma rede de dados de IA – conceito visual da plataforma de gestão do tráfego espacial
O resultado é que os operadores de satélites deixam de ter de dedicar equipas inteiras à análise manual de alertas – um processo que, com o aumento exponencial do número de objectos em órbita, se tornava logisticamente impossível de manter.
Os fundadores e a equipa que lidera a Neuraspace
Por trás da tecnologia de ponta está uma combinação rara de perfis complementares: o empreendedor tecnológico com experiência em escalar unicórnios como a Feedzai e a especialista institucional com profundo conhecimento do sector espacial europeu, incluindo a liderança da Agência Espacial Portuguesa. Esta dupla de líderes, apoiada por uma equipa distribuída por Coimbra, Lisboa, Munique e agora também Luxemburgo, permitiu à empresa passar rapidamente da fase de ideia nascida em plena pandemia para produto comercial maduro, com clientes internacionais, parcerias estratégicas e contratos com agências espaciais – tudo em menos de seis anos de existência.
Nuno Sebastião e a ligação à Feedzai
Nuno Sebastião – fundador da Neuraspace e cofundador da Feedzai, uma unicórnio portuguesa
Nuno Sebastião é o fundador da Neura Space, mas não é o seu rosto operacional do dia-a-dia – esse papel coube a uma escolha notável. Sebastião é também o CEO da Feedzai, o que lhe dá uma perspectiva única sobre como transformar tecnologia profunda em produto comercial escalável. A sua tese central é que os desafios da segurança espacial têm muito em comum com os da segurança financeira: volumes de dados enormes, necessidade de resposta em tempo real, e consequências catastróficas para quem não actue a tempo.
A analogia vai além da filosofia: a Neuraspace foi explicitamente concebida para replicar o percurso da Feedzai – de startup incubada em Coimbra a empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares (unicórnio). O próprio Sebastião declarou que acredita que a Neura Space pode tornar-se um dos primeiros unicórnios do sector aeroespacial português.
Chiara Manfletti e a credencial da Agência Espacial Portuguesa
Se Sebastião traz o capital e a visão empresarial, Chiara Manfletti – CEO da Neuraspace – traz algo igualmente valioso: credibilidade institucional no sector espacial. Manfletti foi presidente da Agência Espacial Portuguesa, o que significa que conhece por dentro as dinâmicas das agências governamentais, dos programas da ESA e dos operadores comerciais. A sua comparação preferida para explicar o trabalho da Neura Space é directa:
O espaço nos anos 2020 é como as estradas no início do automóvel – sem regras, sem gestão, com acidentes à espera de acontecer.

Spotlight Talk: Space Sustainability Summit 2024 by SWF - Chiara Manfletti
É esta combinação – o empreendedor que transformou IA em unicórnio e a especialista que conhece o espaço institucional – que explica porque a empresa avançou tão rápido depois de arrancar com zero clientes em plena pandemia.
O financiamento e a aposta do PRR na tecnologia espacial portuguesa
O crescimento acelerado não seria possível sem uma estratégia de financiamento inteligente que combina capital privado com forte apoio público. Desde a ronda seed de 2,5 milhões de euros da Armilar Venture Partners em 2022 até ao projecto de grande escala no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com um investimento elegível superior a 18,7 milhões de euros (parte de um envelope total de cerca de 25–27 milhões de euros incluindo fundos ESA), a empresa conseguiu alavancar recursos que não só aceleraram o desenvolvimento de IA, sensores proprietários e infraestrutura como posicionaram Portugal como um actor relevante na nova economia espacial europeia, gerando 1,8 milhões de euros de receita em 2025 – mais do triplo face ao ano anterior.
Nanosatélite sobre as luzes das cidades, tendo como pano de fundo a atmosfera da Terra – visualização do ambiente orbital, cuja segurança é garantida pela startup portuguesa Neuraspace
Da ronda inicial de €2,5 milhões ao projecto de €25 milhões
Em fevereiro de 2022, a Armilar Venture Partners investiu €2,5 milhões na Neuraspace – o primeiro financiamento formal da empresa e, segundo dados de 2022, um dos investimentos que triplicou a presença de Portugal no mapa global de investimento espacial (o país ocupava a 56.ª posição numa lista de 66 países em termos de capital espacial investido).
Mas a mudança de escala chegou com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A Neura Space foi seleccionada para liderar uma das Agendas Mobilizadoras do PRR, num projecto que envolve um investimento total de 25 milhões de euros. Este financiamento permitiu à empresa expandir a infraestrutura de sensores, contratar talento especializado e construir a parceria com a Força Aérea Portuguesa que culminou no telescópio de Beja.
Os resultados são visíveis nos números mais recentes: em 2025, a receita da Neuraspace chegou aos €1,8 milhões, mais do triplo do que no ano anterior – um crescimento que confirma que o produto está a encontrar mercado real.
As quatro vertentes da plataforma Neuraspace: monitorização orbital, dados de satélite, equipa de especialistas e IA – tudo numa única solução SaaS
Ano | Marco de financiamento | Valor |
|---|---|---|
2022 | Ronda seed – Armilar Venture Partners | €2,5 milhões |
2022–2025 | Agenda Mobilizadora PRR (investimento total previsto) | €25 milhões |
2025 | Receita anual (triplicou face ao ano anterior) | €1,8 milhões |
O telescópio de Beja e a parceria com a Força Aérea Portuguesa
Um dos marcos mais visíveis desta aposta é a infraestrutura própria construída em solo nacional. A parceria com a Força Aérea Portuguesa culminou na instalação, na Base Aérea n.º 11 em Beja, do telescópio óptico NOWL – o mais avançado de Portugal e um dos mais sofisticados da Europa –, que opera principalmente à noite e rastreia objectos entre os 300 e os 38.000 quilómetros de altitude. Este activo estratégico, complementado por um segundo telescópio instalado no Chile para cobertura global dos hemisférios Norte e Sul, reforça tanto a capacidade comercial da plataforma como a soberania e a resiliência espacial de Portugal, alimentando directamente os algoritmos de IA com dados proprietários de elevada precisão.
Os painéis solares do satélite em órbita sobre a Terra e o modelo holográfico das órbitas em torno do planeta – uma visualização das tecnologias de monitorização espacial que estão na base da plataforma Neuraspace
Um instrumento no coração do Alentejo
Em setembro de 2024, a Neura Space e a Força Aérea Portuguesa inauguraram na Base Aérea n.º 11, em Beja, aquele que é descrito como o telescópio óptico mais avançado de Portugal e um dos mais sofisticados da Europa. O equipamento, financiado pelo PRR, está instalado junto à pista da base, opera principalmente durante a noite, e consegue captar imagens de objectos a distâncias entre os 300 e os 8.000 quilómetros – com observações já documentadas até perto dos 38.000 quilómetros.
O Alentejo, com os seus céus limpos e baixa densidade populacional, é geograficamente ideal para este tipo de instrumento. O Festival do Crato, no Alto Alentejo, é famoso pela observação de estrelas que atrai visitantes de toda a Europa, o que ilustra bem por que esta região tem condições únicas para a astronomia e para a monitorização espacial.
O ecossistema Neuraspace em Portugal: um foguetão em órbita sobre a Terra, uma vista panorâmica de Lisboa, algoritmos de IA baseados em redes neurais, um operador diante dos monitores e uma antena terrestre – todos os elos da cadeia de monitorização espacial
O que o telescópio faz exactamente
O telescópio capta imagens de objectos que reflectem a luz solar durante a noite, permitindo identificar satélites e detritos espaciais com base num catálogo de referência. Essa informação alimenta directamente a plataforma de IA da Neuraspace, complementando os dados vindos de outras fontes.
Para a Força Aérea, o equipamento tem também utilidade de defesa: saber o que está em órbita por cima do território nacional – e identificar satélites potencialmente hostis – é parte da nova estratégia de capacitação espacial da FAP. O general Cartaxo Alves, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, declarou na inauguração que o telescópio representa "um dos primeiros grandes passos" dessa estratégia.
Os clientes internacionais e o reconhecimento global
O verdadeiro teste de qualquer solução espacial é a confiança que gera junto de operadores exigentes em todo o mundo. A plataforma é hoje utilizada por entidades institucionais de referência e por mais de dez operadores comerciais internacionais, demonstrando que uma startup nascida em Coimbra consegue competir – e vencer – no mercado global de gestão de tráfego espacial. Entre os destaques estão a integração como componente standard em plataformas de missão, a selecção para missões da ESA como a Celeste, e o reconhecimento em iniciativas europeias de grande escala como o consórcio EMISSARY, o maior projecto de Space Domain Awareness da União Europeia com 158 milhões de euros de investimento.
Os três níveis da tecnologia Neuraspace – recolha de dados em órbita, processamento em chips e armazenamento em centros de dados protegidos
Quem confia na plataforma Neura Space
A plataforma da Neuraspace tem hoje clientes institucionais e comerciais em vários países.
Clientes institucionais
A empresa conquistou a confiança de algumas das instituições mais relevantes do sector espacial, tanto a nível europeu como nacional e internacional. Estas parcerias não só validam a qualidade técnica da plataforma como abrem portas a projectos de maior escala e impacto estratégico, incluindo testes operacionais de serviços de gestão de tráfego espacial, colaboração em defesa e segurança, e coordenação nacional no âmbito de iniciativas europeias.
- Agência Espacial Europeia (ESA)
- Força Aérea Portuguesa
- Força Aérea Brasileira
Clientes institucionais da Neuraspace: a bandeira da Agência Espacial Europeia (ESA), o emblema da Força Aérea Brasileira e o logótipo da Força Aérea Portuguesa – três parceiros fundamentais da startup portuguesa de gestão do tráfego espacial
Clientes comerciais (selecção)
Além das instituições, a plataforma atrai cada vez mais operadores comerciais que procuram soluções escaláveis, automatizadas e com redução drástica da intervenção humana (até 75%). Várias empresas líderes no segmento de pequenos satélites e constelações já integram a tecnologia portuguesa nos seus sistemas operacionais – desde a integração na plataforma HOOP da GomSpace (Dinamarca) até contratos com a Spire Global (EUA), Kongsberg NanoAvionics (Noruega), Open Cosmos (Reino Unido/Portugal), U-Space (França), German Orbital Systems e Sidus Space (EUA) –, confirmando o seu valor prático no mercado competitivo e suportando operações desde o LEOP (Launch and Early Orbit Phase) até à gestão diária de conjunções.
- Spire Global (EUA) – operador de constelações de satélites meteorológicos
- GomSpace (Dinamarca) – fabricante de nanosatélites
- Kongsberg NanoAvionics (Noruega) – integrador de missões de pequenos satélites; integrou a solução Neutra Space como componente standard dos seus serviços
- Open Cosmos (Reino Unido / Portugal) – operador de satélites para observação terrestre
- Geosat (Portugal) – operador de satélites de observação
Clientes comerciais da Neuraspace: Geosat, Open Cosmos, Spire Global, Kongsberg NanoAvionics e GomSpace Flight Heritage
A parceria com a Kongsberg NanoAvionics é particularmente significativa: ao integrar a plataforma da Neuraspace como parte standard dos seus serviços de missão, a empresa norueguesa tornou a gestão de tráfego espacial da startup portuguesa num requisito de mercado para quem usa os seus sistemas.
O prémio na Noruega e a presença em eventos globais
Em outubro de 2024, a Neura Space venceu o prémio de melhor pitch em comunicações espaciais em operações em órbita na Tech Tour Space 2024, realizada em Bodø, na Noruega – um evento que reúne investidores e especialistas de topo da indústria espacial global. O prémio reconheceu a tecnologia de IA e machine learning da empresa para previsão e gestão automatizada de tráfego espacial.
Em 2024, a Neuraspace passou a fazer parte do consórcio EMISSARY – a maior iniciativa europeia de Space Domain Awareness – reforçando o seu posicionamento como actor central na definição da arquitectura europeia de vigilância espacial.
O que torna a Neura Space diferente das alternativas existentes
Como funciona a plataforma Neuraspace do início ao fim: observação da Terra, satélites em órbita, processamento de dados por redes neurais, monitorização pelo operador, antenas terrestres, aprendizagem automática, cálculo de trajetórias e cobertura global
A questão que os potenciais clientes colocam é sempre a mesma: porque não usar simplesmente os dados do governo americano (o U.S. Space Surveillance Network) ou os sistemas da ESA? A resposta está em três diferenças concretas:
- Precisão superior por combinação de fontes – ao agregar dados de múltiplos fornecedores, incluindo infraestrutura própria como o telescópio de Beja, a Neuraspace produz estimativas de risco mais fiáveis do que qualquer fonte isolada.
- Automatização que escala – os métodos tradicionais dependem de análise manual; com 15.000 satélites hoje e 100.000 previstos em 2030, essa abordagem é insustentável; a plataforma da Neura-Space processa a complexidade de forma autónoma.
- Recomendações accionáveis em vez de apenas alertas – a diferença entre "há risco de colisão" e "aqui está a manobra exacta que recomendamos" é a diferença entre um alarme de incêndio e um sistema de sprinklers automático.
O ZOOM de Laval, em França, é um exemplo de como a cultura científica pode ser tornada acessível ao grande público – e a Neura Space enfrenta um desafio semelhante: explicar tecnologia de ponta a um público mais alargado, de seguradoras a governos, que precisa de confiar no produto sem necessariamente dominar os algoritmos por trás dele.
A Neuraspace e o ecossistema de inovação português

Neuraspace Platform Release - 2.22
Mais do que uma empresa de sucesso, representa um modelo de como a inovação pode nascer e crescer fora dos grandes centros urbanos, contribuindo activamente para a coesão territorial, a criação de empregos qualificados e para a afirmação de Portugal no sector espacial europeu. A sua estratégia de localização – com sede no Instituto Pedro Nunes em Coimbra, escritórios em Lisboa, Munique, Luxemburgo e parceria com a Pampilhosa da Serra – reforça o compromisso com o desenvolvimento equilibrado do país, enquanto participa em agendas mobilizadoras do PRR e contribui para a meta da Portugal Space de criar 1.000 empregos no sector até 2030.
Coimbra, Lisboa e Pampilhosa da Serra
A Neura Space fez uma escolha deliberada: não ficar apenas nas metrópoles. Com escritórios em Coimbra e Lisboa, a empresa assinou também uma parceria com a Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra – um município do interior da Beira Interior Sul – para estabelecer um espaço de trabalho nessa zona. A motivação vai além do marketing: criar empregos qualificados em zonas onde esse tipo de oportunidade raramente chega é um dos objectivos explícitos da empresa e está incorporado no modelo de desenvolvimento financiado pelo PRR.
Trata-se de uma postura pouco comum no ecossistema tecnológico português, onde a maioria das startups se concentra no triângulo Lisboa-Porto-Coimbra. A aposta na Pampilhosa da Serra é também uma declaração sobre o tipo de empresa que a Neuraspace quer ser – não apenas global nos clientes, mas localmente responsável no impacto que cria em Portugal.
Ciclo completo de gestão de uma missão espacial com a Neuraspace: desde a produção do aparelho e a colocação em órbita até ao monitorização diária de colisões e manobras automáticas de evasão
Portugal no mapa espacial europeu
Portugal posicionava-se, em 2021, na 56.ª posição de 66 países em investimento espacial privado. A criação e o crescimento da Neura Space mudaram esse quadro de forma mensurável: em 2022, o investimento de €2,5 milhões da Armilar triplicou o total de capital espacial investido em Portugal na última década.
Tal como Raquel Martins levou o nome de Portugal para os palcos britânicos a partir do zero, a Neuraspace está a fazer o mesmo no sector aeroespacial – construindo reputação global a partir de Coimbra, com talento português como base.
A Portugal Space – Agência Espacial Portuguesa – tem a segurança espacial como pilar central da sua estratégia, com a meta de criar 1.000 empregos no sector até 2030. A Neura Space é, neste momento, um dos actores mais visíveis nesse esforço.

Neuraspace & NanoAvionics
O logo da Neura-Space e a identidade visual da empresa
O Neuraspace logo combina elementos que reflectem a identidade dupla da empresa: tecnologia e espaço. A paleta cromática privilegia tons escuros (azul noturno e preto) que evocam o ambiente orbital, com detalhes luminosos que remetem para trajectórias e satélites. O logótipo está concebido para ser reconhecível tanto em contextos institucionais (relatórios para agências espaciais) como em plataformas digitais internacionais.
A identidade visual da empresa é consistente com o posicionamento que a Neura Space procura: uma empresa séria, de tecnologia de ponta, que faz parte do ecossistema de defesa e segurança global – mas que ao mesmo tempo é acessível a operadores comerciais de todas as dimensões.
Perguntas frequentes sobre a Neuraspace
O que faz exactamente a Neura Space?
A Neura-Space desenvolve e opera uma plataforma de inteligência artificial para gestão de tráfego espacial – monitoriza satélites e detritos em órbita, calcula probabilidades de colisão e recomenda manobras de evasão a operadores de satélites, seguradoras e entidades governamentais.
Onde está sediada a Neuraspace?
A sede principal está no Instituto Pedro Nunes, na Universidade de Coimbra. A empresa tem também escritórios em Lisboa e em Munique (Alemanha), onde está incubada no TUM Venture Lab Aerospace da Universidade Técnica de Munique.
Quem fundou a Neura-Space?
A empresa foi fundada em 2020 por Nuno Sebastião, cofundador do unicórnio português Feedzai. É liderada operacionalmente por Chiara Manfletti, ex-presidente da Agência Espacial Portuguesa.
Quantos satélites monitoriza a Neuraspace?
Em 2025, a plataforma monitorizava mais de 500 satélites de operadores em vários países, incluindo clientes como Spire Global (EUA), GomSpace (Dinamarca), Kongsberg NanoAvionics (Noruega) e Geosat (Portugal).
Qual é o telescópio de Beja?
É o telescópio óptico mais avançado de Portugal, inaugurado em setembro de 2024 na Base Aérea n.º 11, em Beja, resultado de uma parceria entre a Neura Space e a Força Aérea Portuguesa, financiado pelo PRR com um investimento total de 25 milhões de euros. Opera durante a noite e consegue rastrear objectos entre os 300 e os 8.000 quilómetros de altitude.






