Adelino Gomes
Adelino Gomes é um dos jornalistas mais importantes de Portugal, com uma carreira de mais de meio século intimamente ligada a momentos-chave da história do país. Em particular, destacou-se como jornalista que cobriu a Revolução das Cravos de 25 de abril de 1974, trabalhou em publicações populares, na rádio e também lecionou jornalismo em instituições de ensino superior do país.
Adelino Gomes – repórter notável de Portugal do século XX
Adelino Gomes foi um dos primeiros jornalistas a noticiar a queda da ditadura do Estado Novo. A sua voz ao vivo tornou-se parte da história, pois a rádio era o principal canal de comunicação na época. Ele informou ao vivo os ouvintes sobre o momento da capitulação de Marcelo Caetano, quando este concordou em entregar o poder.
Mais tarde, Gomes escreveu o livro Os Dias Loucos do PREC, onde analisou em detalhe o período pós-revolução – Processo Revolucionário Em Curso (PREC), uma época de instabilidade política e mudanças sociais.
Trabalhou também na Rádio Renascença, na Deutsche Welle e na Radiodifusão Portuguesa, e mais tarde lecionou jornalismo no ISCTE-IUL.
No entanto, são as suas reportagens de 25 de abril de 1974 que são consideradas um dos testemunhos documentais mais importantes da revolução, pois transmitiam a atmosfera dos acontecimentos em tempo real.
Nome completo | Adelino Clemente Gomes |
|---|---|
Data de nascimento, idade | 10 de agosto de 1944 (81 anos) |
Local de nascimento | Marrazes, Leiria, Portugal |
Nacionalidade | Portugal |
Formação | Universidade de Lisboa |
Atividade | Jornalista, repórter de rádio, locutor, professor |
Características | É testemunha direta e repórter fundamental da Revolução das Cravos, em 25 de abril de 1974 |
Biografia do jornalista Adelino Gomes
Adelino Clemente Gomes nasceu a 10 de agosto de 1944 na cidade de Marrazes, perto de Leiria, em Portugal. A sua infância e juventude decorreram num ambiente de cidade provincial, onde adquiriu os seus primeiros conhecimentos e se formou como personalidade.
Como Gomes é uma pessoa da geração mais velha, não há informações sobre seus pais em fontes abertas.
Sabe-se que, desde jovem, ele começou os seus estudos na Escola Secundária Nacional de Leiria, o que foi uma etapa importante na sua vida. Segundo algumas fontes, foi lá que ele conheceu o futuro capitão da revolução, Salgueiro Mai, que mais tarde desempenhou um papel fundamental nos acontecimentos de 25 de abril de 1974.
Formação académica de Adelino Gomes
Após concluir o ensino secundário, Gomes mudou-se para Lisboa, onde ingressou na Universidade de Lisboa. Durante vários semestres, estudou filosofia e direito, com o objetivo de obter uma sólida formação humanística e jurídica. No entanto, o seu interesse pela jornalística e o desejo de estar mais próximo dos processos sociais levaram-no a abandonar a universidade.
A desistência da carreira académica foi um ponto de viragem para Adelino.
Adelino Gomes – testemunha simbólica da Revolução das Rosas
Em 1966, frequentou um curso de jornalismo organizado pelo jornal Diário Popular, o que constituiu o seu primeiro passo sistemático na profissão. Dois anos depois, em 1968, Gomes continuou os seus estudos num curso oferecido pela União Nacional de Jornalistas e, em 1979, obteve uma especialização adicional ao concluir um curso de jornalismo radiofónico.
Devido à falta de liberdade de imprensa em Portugal, passou algum tempo no estrangeiro, mas regressou em 1973, na véspera da queda da ditadura do Estado Novo.
Na manhã de 25 de abril de 1974, durante a Revolução das Cravos, Adelino Gomes estava na linha da frente como repórter de rádio. Apesar da proibição oficial da profissão de correspondente, ele foi um dos poucos – e, por vezes, o único – jornalista a transmitir ao vivo o desenrolar dos acontecimentos a partir do local da revolução.
Carreira de Adelino Gomes
Depois de abandonar os estudos para se dedicar ao jornalismo, Gomes trabalhou regularmente como repórter na rádio, televisão e jornais entre 1966 e 2008. Cobriu os acontecimentos de 25 de abril de 1974 na Rádio Renascença, bem como o início da invasão da Indonésia a Timor, em 11 de março de 1975, na RTP.
Na sua carreira profissional, destacam-se também as guerras no Afeganistão e no Golfo Pérsico (1990/1, 2001 e 2003), que publicou no popular Público, bem como inúmeras outras reportagens.
Durante dois anos (junho de 2008 a junho de 2010), Adelino foi ouvidor dos ouvintes da RDP.
Além da atividade jornalística, Gomes é autor e coautor de livros, capítulos de livros, artigos e um álbum sobre temas relacionados com conflitos militares e situações difíceis.
Hoje, Adelino Gomes está reformado, mas continua a considerar-se jornalista. É doutorado em Sociologia e pós-graduado em Jornalismo pelo ISCTE-IUL, fazendo parte do grupo de investigação CIES-IUL. Neste contexto, participou na investigação “Ser jornalista em Portugal. Perfis sociológicos”, publicado em 2011.
O jornalista Adelino Gomes
Adelino Gomes é considerado um dos jornalistas portugueses mais conhecidos, tendo ganho popularidade pelas suas reportagens durante a Revolução das Cravos, em 25 de abril de 1974. A sua atividade abrange o trabalho na rádio, televisão, ensino de jornalismo e autoria de livros que se tornaram documentos importantes da história portuguesa. Ainda hoje é famosa a frase que ele disse uma vez numa entrevista:
O jornalismo sério é aquele que contradiz o que considerávamos verdade...
Adelino Gomes – repórter de destaque da Revolução das Cravos
Nos anos 70, ele cobriu um dos eventos mais marcantes da história de Portugal – a Revolução das Cravos, em 25 de abril, que marcou o fim da ditadura. Gomes frequentemente relembra esses tempos na imprensa e em discursos públicos.

Adelino Gomes: Foi o Salgueiro Maia que me deu a definição do 25 de Abril
Adelino recorda frequentemente os tempos difíceis, mas marcantes, em que arriscou a sua saúde e até a sua vida, mas tinha absoluta certeza do que estava a fazer. Gomes contou:
...A partir do momento em que peguei no microfone e comecei a falar, a minha primeira preocupação foi ser objetivo em relação ao que estava a acontecer. O povo iniciou uma revolução e o meu objetivo era cobrir isso. Eu vivi esse acontecimento, e é assim que um verdadeiro repórter faz. Você não pensa: eu concordo com isso, ou eu discordo disso, você pode ficar indignado... Ou feliz, mas não sou eu que grito “fora com o fascismo”. O segundo sentimento está relacionado com o desejo de dizer “abaixo o fascismo”, e eu ficaria muito triste se eles dissessem “viva Salazar”, mas se eu tivesse um microfone, informaria honestamente: “eles gritam viva Salazar”. Assim, o repórter é aquele que descreve o que está a acontecer, independentemente do quanto ele queira que tudo aconteça de outra forma...
Durante esses eventos marcantes, Adelino Gomes esteve presente em pontos-chave do confronto, nomeadamente perto do Terreiros do Passe e durante o cerco ao quartel de Carmo, onde se escondia o então chefe do governo, Marcelo Caetano. Gomes cobriu pessoalmente as ações do líder militar Mai Salgueiro, com quem era amigo.
As suas mais de nove horas de reportagens gravadas no local tornaram-se documentos áudio fundamentais para o estudo e compreensão da Revolução das Cravos.
O trabalho de Adelino Gomes na rádio
Embora a carreira profissional de Gomes abranja cerca de 50 anos, mais de duas décadas foram dedicadas ao Rádio Clube Português (1966-1989), onde foi eleito editor-chefe em junho de 1974. Adelino também trabalhou na Rádio Renascença (1971-1972), no departamento português da Deutsche Welle e, posteriormente, na Radiodifusão Portuguesa (RDP), onde ocupou o cargo de diretor de informação de dezembro de 1995 a julho de 1997.
Na década de 1980, apresentou um programa matinal na RDP e, anteriormente, entre 1975 e 1976, trabalhou na redacção da RTP, desempenhando funções de correspondente em Angola durante a guerra civil e em Timor-Leste após os acontecimentos sangrentos de 1975.
A sua viagem a Timor em 8 de outubro de 1975 tornou-se histórica: o passaporte do jornalista ficou com o carimbo do movimento FRETILIN, que então tomou o poder. Este documento está atualmente guardado no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, em Díli.
Gomes também cobriu as invasões indonésias nas zonas fronteiriças e, em 1982, regressou a Timor-Leste, já ocupado pela Indonésia, onde descreveu a vida dos internados na ilha de Atauro.
Depois de trabalhar na rádio, Gomes assumiu a direção editorial do jornal Público, onde foi editor-chefe e, de 1998 a 2000, vice-diretor. Também participou ativamente na comunidade profissional: coordenou o Segundo Congresso de Jornalistas Portugueses em 1986 e foi membro da comissão de redação do Terceiro Congresso em 1998.
Além disso, Gomes lecionou jornalismo no ISCTE-IUL durante muito tempo e foi investigador no CIES-IUL. É autor do livro Os Dias Loucos do PREC, no qual analisou o período pós-revolução – Processo Revolucionário Em Curso (PREC).
A atividade jornalística de Gomes estendeu-se também ao cinema. Participou na realização de documentários, entre os quais A Revolução de Abril no Olhar de Carlos Gil (2010) e O Que Podem as Palavras (2022).

Adelino Gomes sobre jornalismo
Prémios e distinções
Adelino Gomes, jornalista e repórter português de renome, possui vários prémios que atestam os seus méritos profissionais. Entre eles destacam-se:
Data | Prémio | Significado |
|---|---|---|
10 de junho de 1991 | Concedido o título de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique (Comandante) | Uma das mais altas distinções da República Portuguesa, normalmente atribuída por méritos prestados ao país e pela divulgação da sua história e valores |
2010 | Prémio Gazeta de Mérito | Uma das mais prestigiadas distinções do jornalismo português, que reconhece realizações profissionais notáveis |
20 de maio de 2015 | Recebeu a medalha da Ordem de Timor-Leste das mãos do presidente Taur Matan Ruak | A cerimónia teve lugar no 13.º Dia da Independência de Timor-Leste. Este prémio foi-lhe atribuído pelo seu contributo na cobertura da luta do povo timorense pela independência |
Livro Os Dias Loucos do PREC Adelino Gomes
O livro Os Dias Loucos do PREC, escrito em colaboração com o jornalista José Pedro Castanheira, foi publicado em 2005-2006 e tornou-se um documento importante sobre o período conhecido como PREC – Processo Revolucionário Em Curso.
Nesta obra, os autores recriam a atmosfera daqueles meses em que Portugal vivia num estado de tensão política constante: desde a tentativa de golpe de Estado de 11 de março de 1975 até à estabilização do poder após 25 de novembro do mesmo ano, quando todo o país vivia o caos, o confronto de ideias, a luta entre o exército e as forças políticas.
Adelino Gomes – influente jornalista da rádio portuguesa
Esta edição é uma espécie de crónica dos acontecimentos revolucionários e dos perigos que acompanharam o nascimento da democracia em Portugal. O estilo de Gomes, como testemunha desses acontecimentos, combina o documentarismo com a emotividade jornalística, o que torna o livro não só uma fonte histórica, mas também um testemunho vivo da época.
No total, é autor e coautor de mais de uma dezena de livros que abrangem momentos-chave da história portuguesa e da sua experiência profissional. Entre elas destacam-se: Memória do 25 de Abril, 40 Anos de Fogo, O Diário Proibido: Angola 1974, Angola: A História Secreta da Descolonização, O Homem Que Não Cabia em Mais Nenhum Lugar, entre outras.
O que se sabe sobre a vida pessoal de Adelino Gomes?
Não há dados públicos sobre a sua família, filhos ou relações privadas, sabe-se apenas que é casado e tem dois filhos. Este homem sempre foi conhecido principalmente pela sua atividade profissional e pelo seu papel na Revolução das Cravos.
Redes sociais
Adelino Gomes não tem contas oficiais ativas nas redes sociais modernas. Ele não mantém páginas pessoais no Facebook, Instagram ou Twitter. A sua presença limita-se a entrevistas profissionais, publicações académicas e projetos culturais.
Adelino está mais associado a palestras universitárias e congressos jornalísticos do que à comunicação digital.
FAQ
Qual é a relação de Adelino Gomes com o 25 de Abril?
Adelino Gomes está intimamente ligado à Revolução dos Cravos (25 de Abril), pois foi um jornalista e repórter de rádio fundamental, que fez reportagens a partir do local dos acontecimentos.
Existe alguma ligação entre Adelino Gomes e a empresa Adelino Gomes da Silva & Filhos, Lda.?
Provavelmente não, pois são pessoas/estruturas diferentes: o jornalista Adelino Gomes não tem qualquer relação com esta empresa.
Adelino Gomes tem colaborações científicas ou académicas com Rui Adelino Machado Gomes?
Adelino Gomes sempre trabalhou como jornalista, professor e autor, mas as suas ligações académicas não estão relacionadas com Rui Adelino Machado Gomes.






